sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Mito 6: Quando chover vou molhar-me e depois fico doente


Se forem como eu, a opção de conduzir a bicicleta com uma mão enquanto, com a outra, seguram o vosso delicado chapéu de chuva, está totalmente fora de questão! Não porque ache que é uma má ideia, mas porque estou certa de que ficaria a conhecer o alcatrão mais de perto.

Ora, posto isto, chegamos a um novo mito que assombra quem quer começar a andar de bicicleta e que serve de desculpa sempre que a meteorologia anuncia possibilidade de aguaceiros, céu nublado ou vento forte: "quando chover vou molhar-me e depois fico doente ". E todos sabemos que um ciclista doente é um ciclista em sofrimento (sobretudo quando o médico lhe diz que está proibido de pedalar enquanto não melhorar).

No entanto, se perguntarem a quem faz da bicicleta o seu meio de transporte diário se a chuva é um problema, o mais provável é terem um "não" como resposta e existem até aqueles ciclistas para quem pedalar à chuva é um prazer. 

E para quem ainda não esteja convencido, que tal a opinião de alguns dos mais acérrimos defensores de pedalar à chuva ?








Parece que afinal, há quem pedale à chuva e que o faça com gosto. Mas, naturalmente que é importante termos o equipamento adequado e, quando falamos em "adequado" temos de ter em conta que, ao contrário do que acontece quando vamos de carro ou transportes públicos, estamos totalmente expostos à chuva, ao vento e ao frio. 




Como este foi o primeiro ano de Inverno em duas rodas da Costureira Ciclista, confesso que ainda não estava totalmente preparada para enfrentar as chuvas mais fortes e apanhei duas daquelas molhas em que, a determinado momento, só restava encolher os ombros por ser impossível a situação piorar. Resultado: gripe, com direito a tosse, febre, dor de ouvidos e afins. Basicamente estive com um pé no "outro lado".







Podem agora dizer: 

« Ah mas nós então temos razão! Andaste de bicicleta à chuva e ficaste doente por causa disso ! »


Não, nada disso. Reparem que nem a chuva, nem o frio são responsáveis pela transmissão do vírus da gripe, mas sim os contactos directos ou indirectos com uma pessoa infectada. Posto desta forma, andar de bicicleta até minimiza o risco de contrairmos gripe dado que não temos um contacto tão directo com outras pessoas como teríamos se fossemos, por exemplo, de metro ou autocarro.

A questão aqui é o comportamento que adoptamos. Naturalmente que, se já tivermos alguns sintomas de gripe e, ainda assim, não nos protegemos da chuva e do frio, o desfecho mais provável é sentirmos um agravamento dos sintomas. E no meu caso, foi o que aconteceu.

Mas nada temam vós que quereis começar a pedalar pelo meio das intempéries porque há soluções, sugestões e forma de o fazer!

Vejamos aqueles que são os conselhos dados por quem anda à chuva:


1. Mantenham-se secos

Quanto mais molhados ficarem, mais frio vão ter e, estarem molhados e frios não augura nada de bom (para além de não ser nada confortável, sobretudo se tiverem de trabalhar todo o dia assim).

As sugestões são muitas, e mais uma vez, damos voz a quem entende do assunto:




2. Tenham um Plano B

Pode acontecer terem mesmo muito azar e, apesar de terem todo o equipamento para pedalarem à chuva, por alguma razão não o levaram. O melhor é, fazerem como a Ellen Morales e terem uma muda de roupa a postos. Se tiverem algum armário ou cacifo no vosso emprego, melhor ainda!



3. Não se esqueçam que os pés também fazem parte

Muito bem: temos o casaco impermeável, as calças impermeáveis, o capacete que ajuda a proteger da chuva e... uns ténis de pano. Ao passarmos pela primeira poça vamos rogar pragas e dizer que se o arrependimento matasse certamente aquele seria o nosso último dia. 


Mas não vale a pena começarem já a dizer que é precisamente por causa disto que não vão de bicicleta... Há soluções para tudo e, neste caso específico, até mais do que uma! Uns ténis ou umas botas impermeáveis podem ser uma boa solução e, provavelmente a mais prática. 

« Mas eu não gosto de botas nem de ténis impermeáveis e quero andar com ténis de pano durante todo o ano! Parece que não dá mesmo para ir de bicicleta assim ». 

Nesse caso, podemos comprar umas capas para proteger os pés, como sugere o Paulo Jorge:





6. Protejam os olhos

Embora não seja algo muito sugerido, é frequente cruzar-me com ciclistas que utilizam óculos quando está a chover, o que me leva a crer que são úteis e devem fazer alguma diferença. Não posso no entanto falar por experiência própria porque nunca experimentei usar uns durante um percurso à chuva mas, de acordo com as dicas para pedalar à chuva do Active.Com, recomenda-se :

  • o uso de uns óculos de ciclismo com lentes transparentes ou amarelas
  • um boné de ciclista por baixo do capacete para escudar da chuva
  • aplicação de spray anti-embaciamento nós óculos


5. Sejam persistentes

Pedalar à chuva. Há quem adore a sensação da água na cara, há quem deteste e há aqueles que depende do lado para que acordaram. 

O importante aqui é apreciarmos o passeio e não nos sentirmos obrigados a andar à chuva apenas porque há muita gente que o faz. Mas, não deixem que o facto de estar a chover vos impeça de descobrir se gostam ou se detestam pedalar à chuva.

E quem sabe, podem sentir-se de tal forma arrebatados pelo prazer de pedalar à chuva que, tal como o Eliseu, chegam à conclusão de que


« Não há melhores dias do que aqueles em que já nos equipamos na firme convicção de que vamos mergulhar num mar de aventuras »

(http://biclalx.blogspot.pt/2014/01/chuva.html)








sábado, 11 de janeiro de 2014

Próximo passo: World Domination!




Quando comecei a ir de bicicleta para o emprego, senti-me um pouco como a Bekka Wright e era frequente fazerem-me perguntas como:


- Vens de onde ? 

- Não tens medo de andar no meio dos carros ?!

- Então e quando sais à meia noite vais de bicicleta ?

- Não é perigoso... ? Não tens medo de ser assaltada ?

- Então e quando começar a chover ?


Outras vezes era sobre a bicicleta ...

- Essa é daquelas que se dobra, não é ?

- É muito pesada ?

- É prática ?


Notei que, aos poucos, a bicicleta passou a fazer parte, não só do meu dia a dia, mas também do dia a dia dos meus colegas que até um nome lhe deram: Maria Francisca.


Claro que, chegar de bicicleta continua a arrancar uns quantos sorrisos porque « És maluca! » 


Maluca ou não, noto que alguns já estão contagiados com "o bichinho da bicicleta" e, não tardará até não haver volta a dar!


M U A H A H A H A H A H A H A H A 





Os sintomas são óbvios. Uma colega, que sempre gostou de pasteleiras, decidiu comprar uma para ela e outra para a filha. Uma outra optou por, neste Natal, oferecer bicicletas aos sobrinhos que, segundo diz, estão a adorar e a aprender a equilibrar-se com bastante facilidade. E, a semana passada, a primeira coisa que ouvi quando cheguei foi um « Por sua causa já andei na Decathlon a experimentar as dobráveis! Sou capaz de comprar uma ... ».

E é assim que um "pequeno gesto" como o de levar a bicicleta comigo todos os dias para o emprego, contribui para desmistificar algumas ideias existentes em torno da sua utilização como meio de transporte mas, sobretudo, contribui para a mudança na forma como a bicicleta e respectivo ciclista são vistos.

Hoje em dia, são os meus colegas quem, com um olhar acusatório e dedo espetado me perguntam:


« Então onde é que está a Maria Francisca ?! »


E é bom que haja um bom motivo... caso contrário ...































Hoje vou de carro!

A semana passada, como muitos de vós sabem, foi de muita chuva, muito vento e... muitas desculpas para a Costureira Ciclista.


« Estou constipada...»

« Está a chover muito e não tenho calças impermeáveis... »

« Apetece-me ficar a preguiçar mais um bocadinho... »


O que, se traduziu num:


Hoje vou de carro!



O resultado desta aventura foi bastante previsível e um lembrete dos motivos pelos quais, quando vim para Lisboa, troquei o carro pela bicicleta.

A ida para o emprego tornou-se numa corrida contra o tempo em que a imprevisibilidade do trânsito nunca deixava adivinhar se demoraríamos 15 minutos ou meia hora a chegar ao emprego. A isto, junta-se a demanda pelo estacionamento e temos o cocktail explosivo para começar a manhã capazes de estrangular alguém.


Ah... a segunda circular... Que vista fantástica! De um lado: carros. Do outro: carros

É a emoção ao rubro! Pára-arranca, carros que se
atravessam à frente, mudanças de faixa sem sinalizar. Wow!

Até para estacionar temos de enfrentar uma fila.
E ainda assim, estamos afastados do local de trabalho.



Mas as aventuras não terminam aqui e por volta das 18:00 é hora de começar a pensar no regresso a casa e, mais uma vez, é impossível saber quanto tempo vamos demorar.


E, ao fim de dois dias, chegámos a conclusão que pode haver menos ou mais mas, há sempre trânsito. Se estiver a chover: muito pior.




Para piorar a sensação de estarmos encurralados no trânsito, eis que passam por nós não um, mas dois CICLISTAS junto à zona do Estádio Universitário.

Chovia a potes e estava um trânsito tremendo, mas ainda assim, só consegui perceber que um deles levava qualquer coisa amarela (um casaco? uma mochila? ), tal foi a agilidade com que passou e ultrapassou os carros parados.


Conhecem a expressão "abre olhos" ? 

Pois... este ciclista, talvez um enviado do Todo-Poderoso-Ciclista, foi isso mesmo. Ali estava ele, a pedalar à chuva e ao vento, com aquele ar de quem gosta de o fazer. E eu ali estava. Presa no carro. A vê-lo passar.



Cheguei à conclusão que afinal o problema não era o mau tempo, nem a minha constipação, mas sim o meu comodismo.

E foi assim que, depois de uma semana de desculpas esfarrapadas, peguei novamente na bicicleta e rapidamente percebi porque é que prefiro pedalar em vez de conduzir. 



Como diz a Bekka Wright, troquei a Not Bikey Face pela Bikey Face!





domingo, 5 de janeiro de 2014

Manipular para Reinar


Muito se tem discutido sobre as opiniões de Carlos Barbosa, Presidente do ACP, às alterações do Código da Estrada. Mas eis que entra um novo peão no jogo: Paulo Pereira de Almeida, um entusiasta da crucificação dos ciclistas a par da deidificação dos automóveis (consta que já está a ser construído um santuário ali para os lados do Entroncamento).


Antes de mais, espreitem o artigo de opinião publicado ontem no Jornal de Notícias cujo título, por si só, já deixa antever o que aí vem:





Se já leram o artigo e são ciclistas, estarão provavelmente a espumar pela boca e a pensar criar um evento no Facebook chamado Vamos Furar os Pneus do Carro do Paulo Almeida. 

Se já leram o artigo e são automobilistas, deverão estar a acenar com a cabeça e a concordar que os ciclistas deviam realmente ser banidos das estradas e que estas alterações são uma vergonha que só mostra que "somos um País do terceiro mundo" e afins.


Eu chamo-lhe: manipular para reinar.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Hostilidades dentro de 3 ... 2... 1

Aquela que é uma medida que visa, essencialmente, assegurar a segurança do ciclista e promover a coexistência de bicicletas e automóveis acabou por se revelar um pau de dois bicos. 




É inegável que todas as alterações vão contribuir para um incremento das condições de segurança para o ciclista e, consequentemente, facilitar a partilha da via.

A verdade é que, bicicletas na via pública, não constituem novidade para ninguém e, basta uma pequena volta pela cidade, para vê-las a circular na estrada, a par com os automóveis. Por isso, ao contrário da ideia que Carlos Barbosa tenta transmitir, estas alterações não vão fazer com que os ciclistas saiam em massa para as estradas. Vão, sim, legislar sobre uma realidade que está à vista e tem sido, até agora, ignorada.