Certamente
que muitos de vós já ouviu falar, e provavelmente até acompanha, a MariaBicicleta, um trabalho documental da autoria de Laura Alves (jornalista, co-autora
da Gloriosa Bicicleta e, mais recentemente do Acreditar) e Vitorino Coragem
(jornalista, fotógrafo e documentarista).
Ora,
estava eu a ler a entrevista que a Ana Isabel Almeida (que é professora de
informática) deu para a Maria Bicicleta quando...
«
Os meus alunos perguntavam:
“Mas a professora não vem de carro porquê ?”
E eu dizia que não tinha carro.
“Então e uma mota ?”
Ou seja, achavam que andar de bicicleta era ser pobre »
“Mas a professora não vem de carro porquê ?”
E eu dizia que não tinha carro.
“Então e uma mota ?”
Ou seja, achavam que andar de bicicleta era ser pobre »
Pois
é... andar de bicicleta é sinónimo de pobreza e, todos nós sabemos que ninguém
quer ser encaixado nessa categoria marginal e marginalizada a que se chama de
“pobre”.
Porque ser pobre é mau. Mas
pior, porque ser pobre, parece mal ... E então rodeamo-nos de coisas inúteis,
para nos sentirmos menos pobres, ainda que sejam essas coisas inúteis que nos
arrastam para um estilo de vida cada vez mais instável, em que os gastos são
consideravelmente superiores aos ganhos e só um louco acha que sai a ganhar. No
entanto, no que diz respeito à ostentação, sem dúvida que andar montado num BMW
parece “menos pobre” do que andar de bicicleta e, todos sabemos que ter um bom carro é a afirmação de que se está a viver "the portuguese dream".
«
Deve ser um gajo importante ! » - dirão uns.
«
G’anda máquina! Aquilo custa mais que a minha casa!» - dirão outros.

