sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Estes gajos só atrapalham

Esta semana a FPCUB partilhou este vídeo na sua página do facebook






A ideia é simples e pretende demonstrar que, é mais rápido ultrapassar o grupo de ciclistas quando circula a par (12 segundos) do que quando circula em linha (18 segundos), deitando por terra as pseudo-teorias-criativas de que


"circulam aos pares e vão ali na conversa a atrapalhar o trânsito!! E as pessoas que têm de trabalhar que se lixem! " 

Porque é sabido que nenhum ciclista trabalha! E quem anda de bicicleta está, obviamente, num momento de lazer. Pessoalmente, adoro treinar para a tour de france ali na Av. de Berna, com a roupa que uso no dia a dia e com a marmita pendurada na grelha traseira. É a minha cena.

Mas, tal como a maioria dos vídeos, publicações, legislação e, basicamente tudo o que chegue aos olhos do público e que envolta bicicletas, o vídeo deu logo origem a uma enxurrada de comentários. Alguém adivinha quais ?




Circular aos Pares




Confesso que adoro ir aos pares. De preferência no meio da Avenida da Liberdade. Quando vou sozinha e não tenho ninguém com quem falar até me coloco entre duas faixas (a do BUS e a outra) só para criar mais caos e anarquia. E quando vou ali para a rotunda do Marquês ? Haviam de ver! A LOUCURA!!!! Saltito entre as faixas todas e atravesso-me de repente à frente dos carros só para os ver baralhados. No outro dia até provoquei um acidente e depois peguei na bicla e fugi para o metro. 

Mas gosto mesmo é de andar aos pares. Para falar de coisas da vida. A telenovela. As eleições na Grécia. O estado do tempo. Duetos improvisados.




A Estrada Marginal


Concordo e assino por baixo! Os sacanas dos putos que vão pedalar naquele passeio estreitinho da Marginal são uns infractores. Por mim, ia atrás deles de carro, atropelava-os a todos e depois fugia. Onde é que já se viu ?! E os pais dessas crianças ? Uns irresponsáveis! Denúncia à protecção de menores! JÁ!

E depois temos os outros... aqueles que têm a mania que andam a treinar para a volta a Portugal. Todos de licra, a pedalar em grupo e a ocupar uma das duas faixas de rodagem. E o pior? Andam aos pares! AOS PARES !!!!  Às vezes até passam o sinal vermelho, o que é um perigo, porque o carro que ia em excesso de velocidade e o accionou pode ter um acidente ou assim.

Felizmente sabemos onde é que eles andam. Estes sacaninhas todos. Na Marginal. Ao fim de semana. Sentido Lisboa-Cascais. Entre as 09:00 e as 12:00. 


Os Sinais Vermelhos



Ya. Tipo... 
Tipo, achava que não havia sinais vermelhos! Wow! Juro que nunca reparei. Serão aqueles postes onde os carros às vezes param ? A sério?!?!?! LOL Achava que estavam a parar para me dar avanço. Tipo, eles às vezes buzinavam quando eu passava mas, tipo, achava que era porque sou bué linda e tipo, curtiam de mim, sei lá. 

Relativamente às rotundas. Tipo, eu às vezes ponho as patas no chão. Mas o cão não gosta que eu o esteja sempre a tirar de dentro do cestinho para lhe pôr as patas no chão cada vez que paramos à entrada de uma rotunda. 



Matrículas, Luzes e Seguro


Os legisladores andam a dormir e, pelos vistos, há alguém que tem muitas questões por responder... 

Entretanto, há alguém que, porque a legislação não obriga o ciclista a determinadas coisas que a pessoa considera que são "elementares", não aceita ouvir reivindicações dos ciclistas. Ou seja, se eu tiver seguro e andar com luzes, estou tramada na mesma porque não tenho matrícula.

Se é para entrar no campo das analogias absurdas. Vamos lá: esqueci-me de uma coisa elementar e não percebo como é que os legisladores deixam passar: que tal os carros deixarem de estacionar em cima das ciclovias e dos passeios ? Serem obrigados a respeitar os limites de velocidade ? E a distância de segurança ? Quando tudo isto for obrigatório e controlado, aceito novamente ouvir as reivindicações dos automobilistas que as cumpram. Até lá, paguem a porra do estacionamento em sítios para estacionar. 






Depois deste último desisti de ler mais comentários porque já estava a começar a espumar da boca e não posso, de forma alguma, por em causa a minha saúde porque daqui a nada tenho uns sinais vermelhos para passar com a minha bicicleta sem matrícula, sem seguro e sem luzes e entrar a abrir nas rotundas sem por as patas no chão, enquanto ouço música no MP3 e troco mensagens com os meus amigo no whatsapp.


Em caso de agravamento ou persistência dos sintomas de falta de informação, por favor elucidai-vos aqui:








sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

AI JESUS COMO É QUE AGORA VOU PASSEAR PARA A BAIXA ?!?!

Não tenho palavras para expressar o quão indignada e revoltada estou com esta medida! Então não é que agora a Câmara de Lisboa teve a brilhante ideia de proibir a circulação de automóveis anteriores a 2000 no centro de Lisboa ?! Só neste país de terceiro mundo é que isto acontece!



Quer dizer... andam p'raí com a conversa de que temos de incentivar o pequeno comércio e procurar alternativas aos centros comerciais (o que só por si já é mau visto que eu sofro de alergias e andar na rua provoca-me rinite) e depois PUMBA! Como é suposto, meus caros senhores, eu ir até ao centro de Lisboa ?!?! Enquanto cidadã portuguesa, considero isto uma afronta e de certeza que anda alguém a meter dinheiro ao bolso com esta medida! É o país que temos e a culpa é do governo. E de certeza que o Sócrates também deve ter posto algum ao bolso com isto.

Pago o IUC para quê meus caros senhores ?! Para encher o bolso a quem ?! A partir do momento em que pago, é vossa obrigação assegurarem que há condições para eu levar o carro para onde eu quiser e o centro de Lisboa está incluído. Há tempos ouvi dizer que havia falta de estacionamento. O que há é falta de competência! Porque, meus caros senhores, o que não falta é lugares para estacionar em Lisboa mas houve alguém que agora decidiu encher aquilo de pilaretes. P-I-L-A-R-E-T-E-S ! Digam-me se faz algum sentido. 

O que é que esperam que faça ? Que troque de carro ?! Terão porventura algum acordo com os concessionários ?! Estou desconfiada que é mesmo isso que aqui se passa. Não bastava estarmos mergulhados na crise, por causa do governo, e ainda querem que compremos carros novos ?! Como é que vou ter dinheiro para ir de férias para o Algarve em Agosto ?! E para comprar aquele televisor curvo, o tablet e o telemóvel ? Graças a Deus existem créditos. Se não fosse isso, sabe Deus o que seria de mim.

Ah, e o melhor que tudo: querem incentivar o uso de transportes públicos. Já imaginaram a vergonha que seria se a Fáfá e a Carlota me vissem chegar ao emprego de autocarro ?! Poderá um ser humano descer mais baixo ?! E então de metro nem se fala! Só de pensar até fico com arrepios por causa da minha alergia a gente pobre.

Mas olhem, não há mal sem remédio. 
Vou ali fazer um crédito para comprar um carro de 2015 e aproveito para pedir mais uns trocos para as férias do Algarve.


Beijinhos fofos a todos
Catuxa

sábado, 30 de agosto de 2014

Explorações Gastronómicas: Cantina das Freiras





Dia folga a meio da semana é, geralmente, dia de explorações pela cidade de Lisboa. A parte boa é que há sempre qualquer coisa que ainda não descobri ou visitei e, esta semana, voltei-me para a gastronomia.

A Susana do blog Ao Virar da Esquina já me tinha falado de uma cantina algures em Lisboa onde se come "bem e barato" e, na semana passada, acrescentou dois outros sítios a não perder: uma esplanada num terraço em Lisboa, e uma fábrica de pastéis de nata na Baixa. 


Comecemos então pelo almoço na Cantina das Freiras

Onde fica ?
Conhecem a Brasileira ? Comecemos então a partir daí. 



Entram na Rua Serpa Pinto (indicada com a seta) e seguem sempre em frente.
Irão passar o Largo de São Carlos e o Museu do Chiado. 

Chegados ao cruzamento com a Rua Vítor Cordon, atravessam para o outro lado e seguem em frente.

Chegando então ao outro lado da estrada, estarão na Calçada do Ferragial.
Andam alguns metros e viram na primeira à esquerda.

Ora aqui está! 
Provavelmente quando aqui chegarem já ouvem o som dos talheres (foi assim que eu percebi 
que estava perto). No cimo das escadas, viram à vossa esquerda e depois é só procurar o n.º 1. 




Como é ?



Pessoalmente gostei bastante. Principalmente porque só nos apercebemos da relíquia que é quando lá chegamos.

Assim que transpomos a porta de entrada, é este o cenário.
Hum... 

Existem vários menus à escolha:
Menu Falua: 1 fatia de quiche + salada = 2.90 €
Menu Caravela: Omelete + Salada = 2.50 €
Menu Cruzeiro: pão + prato + sopa ou sobremesa = 6.50 €
Menu Fragata: sopa + baguete mista = 3.50 €


Como o elevador não é aconselhado a claustrofóbicos,
fui pelas escadas e encontrei este cartaz.



E eis-nos finalmente na Cantina propriamente dita ...


Podemos escolher entre comer na esplanada ou nesta sala
(é muito maior do que parece e há mais lugares por trás de mim)

E, como estamos numa cantina, tiramos o tabuleiro e escolhemos um dos
dois pratos do dia: carne ou peixe.



Depois, é só pegar no tabuleiro, sair e pensar: como é que eu ainda não tinha vindo aqui ?!








Comi uns belos croquetes com arroz de cenoura e uma gelatina e será, sem dúvida, um sítio onde espero voltar em breve! 


[para a próxima digo-vos onde encontrar a tal esplanada e os pastéis de nada]



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Era o que faltava!

Costuma-se dizer que "de pequenino se torce o pepino". Geralmente este ditado tem implícita a ideia de que a aprendizagem começa em novo mas, curiosamente, parece-me que há pessoas que se regem mais pelo "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".


« E de onde é que vem agora essa conversa toda e o que é que isso tem a ver com bicicletas ? » - perguntam vocês.


Duas palavras: Jardim Zoológico

Para uns, um passeio. Para mim, o Gate to Hell



A Costureira não é esquisita mas, há três coisas que a conseguem tirar do sério: 
  • histeria colectiva
  • a estupidez de algumas pessoas
  • criancinhas aos gritos sem razão


E alguém consegue adivinhar onde é que se encontra tudo isto ? Pois... no Jardim Zoológico.

E o que é que isto tem a ver com bicicletas ? Nada.

Tem a ver, sim,  com civismo. Ou, neste caso, com uma completa ausência dele e com as consequências de transmitir esta postura de "rei na barriga" às crianças.

E porquê ?

O motivo é simples: para os vossos filhos, vocês são o modelo a seguir. 

Por isso, basicamente, se forem uns porreiros, os miúdos vão ser uns porreiros.
Se forem palermas, os putos vão ser palermas.

Se estimularem os miúdos para as actividades ao ar livre, provavelmente vão ser putos curiosos, enérgicos e saudáveis.
Se os trancarem no quarto com o computador, o mais certo é terem crianças apáticas, obesas e que ficam doentes se lhes cair uma gota de chuva na testa.

Se forem civilizados, os putos vão ser civilizados.
Se se comportarem pior do que os animais do zoo, então o melhor é enjaularem as crianças que sempre dão mais espectáculo do que alguns animais.


« Esta não deve gostar de crianças! » - dirão algumas pessoas




Aqui, a questão não é essa mas sim o comportamento dos pais, os exemplos que dão e os valores que transmitem aos filhos.


Vamos então pegar no caso girafa.

Sábado, 23 de Agosto. Recinto das girafas.

Em torno do recinto são visíveis vários avisos: 
« não provoque os animais » 
« não alimente os animais ».
Uma girafa mais curiosa aproxima-se de um ponto onde estava um amontoado de pais com os respectivos filhos. Um dos pais decide apanhar uma folha que estava no chão para o filho dar a girafa. A girafa estica o pescoço e a língua e come a folha que estava na mão da criança. Subitamente, todos os pais entram numa onda de histeria colectiva: apanham folhas do chão, inclinam-se sobre a cerca, esticam os braços dos filhos para alcançarem a girafa. Há inclusive uma mãe que pega na filha com cerca de 2 anos e a passa por cima da rede. Há um miúdo que transpõe a rede e entra no recinto. Todos se empurram e apanham freneticamente as folhas caídas no chão. Parecia a primeira fila de um concerto do Tony Carreira. Tudo isto apesar do aviso: « não alimente os animais ». Ninguém quer saber. 



Depois temos o caso réptil

Sábado, 23 de Agosto. Reptilário.

Em todos os vidros um aviso « não bata do vidro ».
Um pai decide bater nos vidros para "acordar a cobra".
- Olha ali! Olha ali! (PUM PUM PUM) Olha! olha! Ela tá a dormir (PUM PUM PUM)



Há certos momentos em que é bom não termos poder para concretizar os nossos pensamentos. Caso contrário, teria havido uma série de pessoas a ficar sem braço, e um outro a ser mordido por uma cobra venenosa e depois cair dentro do lago dos aligátor-americano.

Mas adiante.

O que é que se transmite às crianças ? 
Borrifa-te para os avisos! Queres bater no vidro? Bate no vidro!
Queres dar comida aos animais? Dá! 
Era o que faltava! Dizerem-me aquilo que posso e não posso fazer.
Paguei a entrada blá blá blá  Sou eu que pago o ordenado a estas pessoas blá blá blá


« Que exagero! São só uns sinais no Jardim Zoológico ! »


A questão é precisamente essa.
São "só" uns sinais. Umas regras. E o que é que se ensina ? A desrespeitá-las.
Claro que se houvesse fiscalização, a conversa era outra. 
Mas então... as regras só devem ser respeitadas quando há algum tipo de castigo?

Mais tarde, será só um semáforo vermelho (deste que a polícia não veja...)
Será só uma proibição de parar e estacionar (são só 5 minutos e toda a gente o faz...)
Será só uma proibição de circular em cima dos passeios (porque não ?)

Será só isto e aquilo. 
Coisas insignificantes. 
Coisas que não temos de respeitar porque temos mais que fazer.
Coisas que não temos de respeitar porque estamos acima das regras.
E tudo começou numa ida ao Jardim Zoológico.




























terça-feira, 19 de agosto de 2014

PSICOPATA TRESLOUCADO ESPANCA CICLISTAS

« É um desporto desgastante.... Por isso, mesmo quando não terminam nos primeiros lugares, gosto de ir ter com eles e dar-lhes uma palmada reconfortante nas costas. Afinal de contas, é bom chegar em primeiro lugar mas, nem sempre ganhar é tudo o que importa »

Este testemunho fictício, que deu origem ao título bombástico deste post, pretende ilustrar aquele que vem sendo o hábito na maioria das notícias que envolvem ciclistas, carros, seguros, operações STOP e código da estrada: tira-se o que interessa, realça-se o que gera polémica e criam-se títulos aos quais só faltam umas letras em néon a piscar. 








Pois é caros ciclistas, no final de Julho, quase de certeza que a maioria de nós se deparou com uma destas pérolas:


« Associações de ciclistas querem seguradoras de carros a pagar acidentes »
(O DRAMA!)

« Seguro automóvel deve pagar por acidentes causados por bicicletas »
( O HORROR !!)


« Seguro automóvel deverá vir a pagar por acidentes causados por bicicletas »
( A TRAGÉDIA!!!)



« Vais pagar!!!! Vais pagar!!!! »



Confesso que na altura em que estas notícias começaram a sair, achei a situação um bocado absurda. Uma onda de histeria colectiva parecia ter tomado conta das discussões, e a época de caça às bruxas estava oficialmente aberta (com direito a archotes e forquilhas, como nos bons velhos tempos). 



O cenário pitoresco que muitos artigos transmitiam era essencialmente este: 



Era uma vez, um ciclista fofinho de quem toda a gente gostava. Era uma espécie de Branca de Neve que pedalava pela cidade a assobiar ao som do canto dos pássaros. Tinha uma pequena horta ali em Telheiras, onde produzia produtos 100 % biológicos que depois distribuía pelos mais carenciados. Aquilo que não conseguia produzir, comprava no pequeno comércio local. 
Basicamente, era muito fixe.
Porque tinha uma bicicleta. 
Ah, e preocupações ambientais e não-sei-quê.



« Gosto de atropelar ciclistas e atirar lixo pela janela ! »


Depois, era uma vez um automobilista. Uma criatura vil e mesquinha. Como tem carro, de certeza que não tem preocupações ambientais. Como tem carro, é quase certo que anda em excesso de velocidade. 
Que estaciona em cima dos passeios.
Que tem uma "arma mortal" nas mãos. 
E que todo e qualquer acidente será, dê por onde der, culpa dele. 
E isto tudo porque o carro polui e ele tem mais é que andar de bicicleta. Mais nada! 





Bom... não sei qual a vossa opinião relativamente a este assunto mas, eu não podia estar menos de acordo com a perspectiva de um condutor automóvel, pelo simples facto de conduzir um carro, ser responsabilizado por um acidente causado por alguma manobra kamikaze de um ciclista tresloucado (pois, porque lá por andar de bicicleta, isso não faz de todos os ciclistas um exemplo a seguir. Há ciclistas e ciclistas. Tal como há automobilistas e automobilistas). 


« Mas nos outros países é assim! »  
Tudo bem. Que seja. Há muitas coisas que se fazem "nos outros países" com as quais eu não concordo. 


« Mas o condutor, como tem carta, tem a obrigação de ter mais atenção ! »
Ah sim ? Então e não há ciclistas com carta de condução ? Esse é um dos argumentos que vem sempre à baila quando se fala do direito a circular na estrada ...


« Ainda assim, o condutor tem de ter mais atenção e estar preparado. Porque tem carro e o carro tem potencial destrutivo » 
Eu também tenho potencial destrutivo quando estou de mau-humor. E nem preciso de carro! 
Agora fora de brincadeiras, a verdade é que há situações tão imprevisíveis que, por mais atenção que tenhamos, não conseguimos evitar. Sabem a quantidade de acidentes que há com cães nas auto-estradas? Ou com javalis em estradas rurais ? Podemos antecipar algumas situações de perigo e até adoptar uma condução mais defensiva mas, há situações tão improváveis que nem sequer as ponderamos. Quantas pessoas, quando circulam numa auto estrada pensa: «é melhor ir a 80 km/hora porque... nunca se sabe... pode aparecer um cão abandonado e eu não ter tempo de parar » ou « deixa-me cá reduzir a velocidade porque pode aparecer um cavalo vindo de nenhures »


Adiante.


Estava eu a dizer que se gerou uma onda de loucura e indignação porque ninguém se entendia. As associações de ciclistas diziam, supostamente, uma coisa. O ACP respondia, supostamente, com outra.

E "supostamente" porquê ?

Convido-vos a espreitar os links da MUBI e da FPCUB a respeito deste assunto.



Vão lá. Eu espero.





Já está ? 

E então ? Parece que afinal a história não é bem como aparece nas letras gordas.


Afinal ...
« Assim, ao contrário do que tem vindo a ser divulgado na comunicação social com meias verdades suportadas em citações parciais e descontextualizadas, a MUBi não defende qualquer agravamento dos seguros automóveis nem que estes tenham que compensar sempre e de forma definitiva as vítimas. Pelo contrário, caso estas venham a ser responsabilizadas pelo sinistro, cabe à seguradora o direito de vir a ser ressarcida de parte da compensação prestada ao utente vulnerável, em tribunal. » MUBI



Afinal...
« A bicicleta é também de entre os veículos que circulam na estrada, um dos que menos acidentes (e com menor gravidade) pode provocar. Também é daqueles meios de transporte que em razão da velocidade que atinge, menos danos corporais provoca (para além de muitas outras vantagens para a sociedade em geral - económicas, ambientais e de saúde pública). Mesmo sem seguro obrigatório, o condutor de velocípede (ou peão) não deixa de ser responsável e os seus bens não deixam de responder por isso. Tal como qualquer cidadão que provoque danos em bens pertencentes a terceiros. » FPCUB


Afinal andou tanta gente histérica por causa de um monte de tretas descontextualizadas.



Ah.... o milagre da manipulação das massas. E enquanto se apedrejam uns aos outros nas redes sociais com calhaus virtuais e comentários desvirtuosos, a atenção vai sendo desviada daquilo que realmente importa: a necessidade de melhorar e criar infraestruturas adequadas.



« hehehehe»









sexta-feira, 27 de junho de 2014

Bicicleta é coisa de Pobre!

Certamente que muitos de vós já ouviu falar, e provavelmente até acompanha, a MariaBicicleta, um trabalho documental da autoria de Laura Alves (jornalista, co-autora da Gloriosa Bicicleta e, mais recentemente do Acreditar) e Vitorino Coragem (jornalista, fotógrafo e documentarista).

Ora, estava eu a ler a entrevista que a Ana Isabel Almeida (que é professora de informática) deu para a Maria Bicicleta quando...


« Os meus alunos perguntavam: 
“Mas a professora não vem de carro porquê ?” 
E eu dizia que não tinha carro. 
“Então e uma mota ?” 
Ou seja, achavam que andar de bicicleta era ser pobre »

Pois é... andar de bicicleta é sinónimo de pobreza e, todos nós sabemos que ninguém quer ser encaixado nessa categoria marginal e marginalizada a que se chama de “pobre”.

Porque ser pobre é mau. Mas pior, porque ser pobre, parece mal ... E então rodeamo-nos de coisas inúteis, para nos sentirmos menos pobres, ainda que sejam essas coisas inúteis que nos arrastam para um estilo de vida cada vez mais instável, em que os gastos são consideravelmente superiores aos ganhos e só um louco acha que sai a ganhar. No entanto, no que diz respeito à ostentação, sem dúvida que andar montado num BMW parece “menos pobre” do que andar de bicicleta e, todos sabemos que ter um bom carro é a afirmação de que se está a viver "the portuguese dream".


« Deve ser um gajo importante ! » - dirão uns.
« G’anda máquina! Aquilo custa mais que a minha casa!» - dirão outros.


E, onde quer que passe, despoletam admiração...





quarta-feira, 11 de junho de 2014

EMEL e a política de (des)mobilidade urbana


A EMEL, Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa, foi criada por deliberação da Assembleia Municipal de Lisboa em 1994, enquadrada na chamada « política integrada de estacionamento » que tem como principal objectivo « potenciar a utilização de transportes públicos (...) reduzindo o congestionamento e melhorando a qualidade do ambiente urbano » (in, Definição do Plano Estratégico e do Novo Modelo Tarifário para a EMEL) 

Até aqui, tudo bem... Mas, vamos então espreitar a página da EMEL e ver quais são as suas principais prioridades: 

A médio prazo, em relação à gestão do estacionamento, a EMEL definiu como principais prioridades até 2013:
  • Construção de 4 parques de estacionamento em estrutura (1 parque por ano) - 2.000 novos lugares: Investimento 16.ooo.ooo €
  • Construção de 11 parques de estacionamento em superficie - 4.000 novos lugares: Investimento 2.578.000 €
  • Renovação e Modernização de 1.050 parquímetros - Investimento 5.250.000 €
  • Extensão da área de estacionamento gerida pela EMEL - 10.000 novos lugares
  • Modernização e diversificação das formas de pagamento do estacionamento


Resumindo, parece que a redução do congestionamento se consegue criando milhares de lugares de estacionamento. Mas... isso não vai levar a que as pessoas tragam na mesma o carro da periferia para o centro da cidade ? E se assim for, em que medida em que a construção de « 4 parques de estacionamento em estrutura » e « 11 parques de estacionamento em superfície » contribui para reduzir o tal congestionamento ?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Constrói-as e eles virão

« If you build them, they will come » 
(se os construíres, eles virão)

Embora esta frase, atribuída a Theodore Roosevelt se refira à construção do Canal do Panamá, parece-me que se encaixa perfeitamente se o objectivo for debater ideias sobre a forma como podemos aumentar o número de ciclistas a circular na cidade e, consequentemente, diminuir o tráfego automóvel.

O que vem primeiro, afinal ? As ciclovias ou os ciclistas ? 

O que será necessário para que quem usa o automóvel como meio de transporte, percepcione a bicicleta como uma alternativa vantajosa, viável e, acima de tudo, segura ?

Poderíamos aqui falar das alterações ao Código da Estrada, da forma como o ciclista passou a usufruiu de determinados direitos e de como isso veio aumentar a sua segurança.
A questão que agora se coloca é: será mesmo assim ? 

Quem é que nunca tinha circulado nas estradas, a par com os automóveis, antes de saírem estas alterações ? Quem faz da bicicleta o seu meio de transporte sabe que isso seria insustentável. Assim sendo, parece que a maioria de nós terá andado, durante bastante tempo, a pedalar à margem da Lei.

Ora, a questão aqui torna-se simples: há muitos ciclistas nas estradas. O que fazer ?

Bom...se proibimos que circulem na estrada, isso será visto como um incentivo à utilização do automóvel, o que vai completamente contra a sustentabilidade que tem sido promovida e incentivada noutros países europeus. Mas, por outro lado, não existem alternativas viáveis visto que, para já, temos uma ciclovia aqui e outra ali, e não uma verdadeira rede que permita circular por toda a cidade, ou até mesmo entre cidades. 

Não havia muito que se pudesse fazer... sobretudo se tivermos em conta as repercussões que qualquer decisão iria ter não só em termos políticos, como ao nível da imagem do país. Imaginemos por exemplo que se proibia a circulação das bicicletas na estrada, e que os ciclistas que o fizessem eram efectivamente multados... Se Portugal já não goza de particular fama, imaginem o gigantesco passo atrás que tais medidas implicariam. 

A solução? Permitir que as bicicletas andem nas estradas, exigindo apenas, em contrapartida, que os ciclistas respeitem a legislação em vigor. 

Não vamos negar que, em termos de mobilidade, é vantajoso. Principalmente porque nos deu legitimidade para circular na estrada. Mas... será mesmo mais seguro ? O que é que foi feito para promover essa segurança ? A operação "Pedalar em Segurança" da PSP ? Na essência, a ideia era interessante: « sensibilizar os ciclistas para os comportamentos de risco » (sim, porque também há ciclistas que precisam de ser sensibilizados para estas questões) mas, como sabemos, o fruto desta operação foram uns quantos títulos de jornal sensacionalistas, criados para induzir em erro quem só lê as letras gordas, e uns quantos artigos facciosos. Aquilo que era uma operação se sensibilização, transformou-se num circo itinerante, sem bilhete pré-comprado e com direito a participar.

Portanto... segurança ? A mesma que sentia antes destas alterações. 

Os bons condutores automóveis, já o eram e continuarão a sê-lo. 
Os donos da estrada, já o eram e continuarão a sê-lo. A não ser que se faça algo para mudar. Mas, como a fiscalização é inexistente, o mais provável é continuarem a comportar-se exactamente da mesma forma.

Qual será então, em teoria, a solução para promover o uso da bicicleta ? 

Na Holanda de 1979 (altura em que foram criadas as primeiras infraestruturas cicláveis) a resposta foi simples: constrói-as e eles virão. E a verdade é que em Den Haag, a criação dessas infraestruturas representou um aumento entre 30 a 60 % do número de ciclistas e, em Tilburg, esse aumento rondou os 75 %. 

Também na cidade de Ghent, Bélgica, que em 2012 ganhou a Eurostar Ashden Award for Sustainable Travel, as medidas adoptadas permitiram que o número de ciclistas aumentasse, entre 2008 e 2011, cerca de 15 %. E que medidas foram estas ?




  • Campanhas de marketing e promoção contínuas, com o objectivo de demonstrar que qualquer pessoa pode adoptar a bicicleta como meio de transporte, promovendo e incentivando assim a sua utilização
  • Criação de um site com informações úteis e práticas sobre a utilização da bicicleta na cidade
  • Apoio e interesse, por parte da classe política, em questões relacionadas com a promoção do uso da bicicleta e vantagens que daí advêm (resultante também do facto da cultura da bicicleta se ter tornado intrínseca)
  • Criação de locais livres de carros (como o centro da cidade) e reposicionamento do parqueamento automóvel, tornando assim, em termos comparativos, muito mais rápida a deslocação de bicicleta
  • Reformulação de ciclovias, colocando a infraestrutura fora da estrada e recolocando o parqueamento automóvel de forma a que este forme uma barreira entre o tráfego automóvel e a ciclovia
  • Criação de "Cycle Streets". Ou seja, estradas em que a bicicleta é prioritária em relação a todos os outros veículos, o que resultou num aumento significativo do número de ciclistas a circular (de 244 em Março de 2010 para 505 em Março de 2012) e uma diminuição do tráfego automóvel (259 em Março de 2010 para 192 em Março de 2012), assim como uma diminuição de 80 % de veículos a circular a mais de 50 Km/hora

Se algumas destas medidas poderiam ser adoptadas por cá ? Acredito que sim. E, o facto de existirem petições, como a da Ribeira das Naus sem Carros, demonstra que as pessoas têm vontade de se apropriarem novamente do que é seu, e de usufruir do espaço público que é de todos. Outro caso em que seria interessante: a Avenida da Liberdade. Sim, já tem faixas partilhadas nas extremidades mas, que tal vedaram essas faixas ao trânsito 2 ou 3 vezes por semana para ver como corre ? Se a construção da rotunda permitiu reduzir em 32 % os níveis de partículas inaláveis (que durante muito tempo transformaram a Avenida da Liberdade, na mais poluída do país) imaginem o que uma medida destas poderia fazer, não só em termos de poluição atmosférica mas também sonora...

Mas, não basta implementar medidas e construir ciclovias e fechar os olhos às irregularidades que espreitam a cada esquina. Lisboa não tem a tradição da bicicleta. Há um punhado de ciclistas resilientes que não abdica da bicicleta pelos mais diversos motivos mas, a grande maioria das deslocações, continua a ser feita a quatro rodas (apesar dos custos financeiros e ambientais que implica). Por isso, se queremos realmente que o número de bicicletas aumente, que as pessoas se sintam seguras a pedalar e que essa forma de transporte constitua uma vantagem em relação ao automóvel, é preciso AGIR!

De que vale ter uma ciclovia se depois temos de ir pela estrada porque está transformada em parque de estacionamento ? 





De que vale ter zonas 30 km/hora se os limites não são respeitados e as operações STOP, quando realizadas, são precedidas de um aviso com data e hora a que será respeitada ? 

De que vale construir ciclovias se não são práticas e cicláveis (desce passeio, sobe passeio) e não é feito qualquer tipo de manutenção, transformando-a numa verdadeira pista de obstáculos ?






As ciclovias deverão ser pensadas como uma alternativa viável e concretizável, construídas do ponto de vista utilitário e não de lazer, permitindo a TODOS (homens, mulheres, jovens, crianças, idosos, pais a transportar crianças) que as utilizem sem ter de recorrer à estrada como alternativa pois, se há quem tenha a destreza para circular entre os automóveis, há quem não se sinta seguro e, enquanto o ideal « bicicleta = segurança » não for alcançado, os números manter-se-ão, assim como a tendência de ir de carro para todo o lado.






Fontes:
Eltis-The Urban Mobility Portal
Diário de Notícias
Ashden Case Study
How the Dutch got their cycle paths
Ghent Campaing


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Primavera. Alergias e Suor.

Quem anda habitualmente de bicicleta, já terá reparado que, com a chegada da Primavera, chegam também os ciclistas. À semelhança das flores, alguns permanecem num estado de dormência durante os meses mais frios e chuvosos, para depois desabrocharem com os primeiros raios de sol.

Mas desengane-se quem acha que estes ciclistas são "uns meninos" só porque deixam a bicicleta em casa quando está mau frio ... e chuva ... e vento. Pelo contrário! Com a Primavera vêm uma série de novos desafios que, até para quem pedalou o Inverno inteiro, podem ser uma aventura.

- Isso são tretas!  - dirão alguns - Já nem sequer chove! Qual é o desafio de pedalar quando está sol ?

Ah... o sol... O sol que nos aquece a cara enquanto pedalamos tranquilamente pelos prados asfaltados da cidade, concentrados apenas no som dos motores dos automóveis e na fumaçada que sai dos tubos de escape... Os mosquitos verdes que nos entram pela boca adentro durante o caminho e que nos levam a pensar se não deveríamos trazer uma garrafinha de lambrusco e uma salada para acompanhar o pitéu... O pó que cai das árvores e que entra para as calças e nos força a aproveitar as paragens nos semáforos para tentar coçar o traseiro sob o olhar atento dos automobilistas e transeuntes... O calor...

Calor é bom. Quando vamos à praia. Quando estamos de folga. Quando estamos numa patuscada a enfardar caracóis. Mas quando vamos trabalhar, o calor pode ser "a pain in the ass".
Em primeiro lugar, porque é deprimente. Sim, leram bem: deprimente. Ali vamos nós a pedalar em direcção ao emprego e a pensar nas mil e uma coisas que poderíamos fazer e por momentos temos aquele pensamento louco de pedalar na direcção oposta porque está-nos mesmo a apetecer ir ali espreitar aquela ciclovia, ou simplesmente ficar refastelados num relvado a fazer a siesta e a comer gelados.

Em segundo lugar porque calor = suor e, se não forem propriamente amigos do calor, chegam ao emprego como eu ...


Claro que, com o ar condicionado o interior poderia estar bastante refrescado mas, regra geral, somos atingidos por uma onda de calor e ficamos sem perceber se as pessoas estão com frio, se somos nós que estamos com demasiado calor porque optámos por ir de bicicleta (a opinião geral), ou se estão a tentar fazer um "Cozido das Furnas" dentro dos aparelhos de ar condicionado.

Seja como for, uma coisa é certa: nada saberia tão bem como ficar de cuecas em frente a uma ventoinha. Mas, como isso não é habitualmente permitido nos locais de trabalho, lá vamos para a nossa labuta diária.

Naturalmente que há como contornar a questão do desconforto gerado pelo calor...


I
Não façam absolutamente nada. Provavelmente ninguém vos vai dizer que fedem e ficam a ganhar em termos de espaço pessoal visto que as pessoas irão manter uma distância de segurança em relação a vocês.

Existe porém o risco de apanharem alguém a comentar que «fulano tal vem para aqui todo suado» «pffff isto com a moda que aí anda de virem de bicicleta... onde é que já se viu?! Vir de bicicleta para o emprego...  córrore!»






II
Não compliquem e comprem um duche portátil! Querem mais simples do que isto ? Enchem aquilo com água. Quando chegarem perto do trabalho penduram o aparelho numa árvore e está feito! 

Os mais envergonhados podem até pendurar num daqueles ganchos que há nas portas da casa de banho e refrescarem-se confortavelmente fora dos olhares indiscretos.








III

Levem o kit anti-fedor-ciclistico: uma t-shirt suplente + 1 desodorizante + 1 toalha ou toalhitas. No caso das mulheres, há as mais recatadas, que vão para um compartimento refrescar-se com as toalhitas e, aquelas a quem só falta entrarem para dentro do lavatório (apesar dos olhares escandalizados de quem entra na casa de banho e se depara com alguém esbaforido, de soutien, a dizer "ah que bom!" enquanto se molha e ensaboa...).



Depois, é só tentarem manter uma aragem a correr ... e devo dizer-vos que há umas relíquias bem jeitosas para o efeito, como este mini-tufão :)