Agora que só faltam dez dias para o Natal, acho que já posso tocar no assunto sem que isso seja considerado "fora de época" (como os enfeites nos centros comerciais no final de Outubro).
Talvez por ser também conhecida como A Cidade das Sete Colinas, muita gente é da opinião de que é impossível andar de bicicleta por ser "sempre a subir".
Não vamos aqui dizer que não há subidas.
Sim, há subidas. E sim, ao início vai custar um bocadinho. Mas, o que é o pior que pode acontecer ? Terem de sair da bicicleta e empurrarem-na rua acima ? Mesmo assim, é bem provável que demorem menos tempo a chegar ao destino do que se ficassem presos no trânsito.
A Costureira Ciclista quis no entanto saber a opção de outros ciclistas e decidiu fazer uma sondagem aqui no blog para saber a opinião dos leitores. A questão era: Há muitas subidas em Lisboa ?
A conclusão a que chegamos é que, provavelmente, há muitos participantes da prova da Subida à Glória a pedalar por Lisboa visto que, 46 % dos participantes respondeu "Subidas? Quais subidas?"
A valer 30 % dos votos, temos os que acham que "Uns dias sim, outros não". O que também não é de estranhar pois há dias em que sentimos como se nos tivesse passado um comboio por cima e ainda o dia não começou.
E por último, temos 24 % que considera que as subidas são realmente complicadas. Mas, foquemo-nos na parte positiva: quase metade dos leitores do blog que andam de bicicleta em Lisboa (46%) não considera que as subidas sejam um problema!
Serão então as subidas um mito ? Bom, segundo o Paulo Guerra dos Santos que talvez conheçam pela sua tese de mestrado "100 dias de bicicleta em Lisboa", as colinas constituem apenas 15 % da área de cidade.
Se ainda assim não estiverem convencidos, existem alguns truques.
1. Respirar
Ao início talvez tenham de voltar atrás para apanhar o pulmão que ficou ao fundo da avenida mas, à medida que vão treinando, a vossa capacidade respiratória também vai aumentando e, não tarda, estão a fazer a subida "com uma perna às costas".
2. Ritmo
Encontrem o vosso. Se ajudar, levem convosco uma música para as subidas e tentem acompanhar o ritmo com a pedalada. Não vale a pena tentarem ir à mesma velocidade daquele ciclista que vos ultrapassou numa subida e, ainda por cima, numa bicicleta sem mudanças! Foquem-se no objectivo: chegar ao fim da subida.
3. Altura do Selim
Sentados na bicicleta, coloquem a perna no pedal e rodem-no até ficar para baixo. Essa perna deverá ficar ligeiramente flectida.
E qual a importância da posição do selim nas subidas ? Muito simples: optimizar a pedalada. Se tiverem o selim demasiado baixo, vão flectir os joelhos mais do que o necessário e, para além de fazerem um maior esforço, correm o risco de se lesionarem. Já com o selim demasiado alto, não chegam com os pés aos pedais e a posição de condução não será confortável.
4. Ziguezague
Esta técnica consiste, como o nome diz, em fazer a subida aos ziguezagues em vez de a fazer em direito. Acabamos por demorar mais tempo, é certo. Mas, por outro lado, diminuímos a inclinação. Apenas não é recomendável que o façam em circuito urbano pois é uma manobra perigosa na medida em que podemos ser surpreendidos por um carro.
5. Tornar-se especialista na vista de rua do Google Maps
Se forem ao Google Maps hão-de reparar que existe lá um bonequinho amarelo que pode ser arrastado para cima do mapa. Isso é a chamada "vista de rua". E para que serve ? Para explorarem a cidade como se andassem realmente a passear por lá. Basta arrastarem o boneco para a rua que querem e depois, com as setas, andarem pelas ruas.
E em que é que isto me ajuda nas subidas ? - perguntam vocês.
Muito simples. Permite-vos explorar alternativas às subidas e, como "todos os caminhos vão dar a Roma", até pode ser que tenham algum sem subidas até vossa casa!
O meu pai costuma dizer, em relação aos carros, que « as pessoas pensam que é só pôr gasolina e andar! Esquecem-se de ver o nível do óleo, o nível da água ... e depois ficam admiradas quando o carro avaria ». Creio que podemos aplicar o mesmo princípio às bicicletas...
Todo
o ciclista que circule numa ciclovia já se deparou com este flagelo: os peões
que se passeiam aos pares, ocupando toda a largura duma via destinada,
imagine-se, às bicicletas!
Uma das perguntas que mais vezes me colocam é se não tenho medo de ser atropelada. Costumo responder que o automobilista que me atropelar se deverá certificar que me acertou com força suficiente, ou então arrisca-se a ser perseguido até casa por uma ciclista em fúria.