Aquela que é uma medida que visa, essencialmente, assegurar a segurança do ciclista e promover a coexistência de bicicletas e automóveis acabou por se revelar um pau de dois bicos.
É inegável que todas as alterações vão contribuir para um incremento das condições de segurança para o ciclista e, consequentemente, facilitar a partilha da via.
A verdade é que, bicicletas na via pública, não constituem novidade para ninguém e, basta uma pequena volta pela cidade, para vê-las a circular na estrada, a par com os automóveis. Por isso, ao contrário da ideia que Carlos Barbosa tenta transmitir, estas alterações não vão fazer com que os ciclistas saiam em massa para as estradas. Vão, sim, legislar sobre uma realidade que está à vista e tem sido, até agora, ignorada.
Este é um daqueles "mitos" que, por vezes, ganham contornos de uma realidade que acaba por afectar algumas das pessoas que ponderam trocar o carro pela bicicleta.
A maioria de nós ouviu falar dos casos da Míriam, que conseguiu a instalação de um parque para bicicletas no Saldanha, e da Laura Alves, co-autora da Gloriosa Bicicleta que conseguiu o mesmo feito na Central Station, em Lisboa.
Ambas são um exemplo de como a persistência (e, acredito, a contratação de capangas para fazer ameaças físicas e mostrar que estas duas senhoras não estão para brincadeiras) pode provocar mudança!
Infelizmente, quando o assunto é estacionamento para bicicletas, é comum ouvirmos um coro de vozes que nos diz:
« Então mas para que é que precisas de um estacionamento para a bicicleta ? Deixas aí amarrada a uma árvore ou atada a um poste! »
Como é que nós, ciclistas, nunca nos lembrámos disto ?!? Andamos para aí a exigir estacionamento quando há tantas árvores, gradeamentos e postes onde podemos deixar a bicicleta amarrada!
A verdade é que, muitas das vezes, estas sugestões vêm de pessoas que ainda não encaram a bicicleta como um meio de transporte e, como tal, estão alheias aos riscos inerentes a este tipo de parqueamento.
Até nós, ciclistas zelosos pelas nossas bicicletas, temos às vezes alguma dificuldade em saber qual a forma mais segura de as estacionar e, outras vezes, não temos mesmo outra opção que não seja um poste.
Neste caso, acho que a proximidade da praça de táxis e do posto da PSP são fortes dissuasores para quem queira levar esta Vilar (?)
Ora, para saber a opinião dos leitores do blog sobre este assunto, fizemos uma sondagem na qual quisemos saber " o que acham do estacionamento para bicicletas na vossa cidade ? "
Ficámos a saber que 80 % dos leitores considera que o estacionamento "existe, mas está mal localizado ou não inspira segurança" e, 20 % refere não existir estacionamento.
Como podemos então minimizar os riscos de furto ?
Investir num bom cadeado. Bem vistas as coisas, sai mais barato comprar um bom cadeado do que uma bicicleta nova e podem encontrar soluções bastante diversificadas no mercado.
Usem mais do que um sistema de bloqueio, como por exemplo, uma corrente e um cadeado U-Lock. Porquê ? Porque cada um deles é arrombado de forma diferente e um ladrão que ande por aí com um alicate e uma serra é capaz de dar um pouco nas vistas...
Na falta de estacionamento próprio para a bicicleta, evitem prendê-la a algo que possa ser facilmente partido, arrancado, ou que permita tirar a bicicleta por cima.
Procurem um local bem iluminado e onde a bicicleta fique bastante visível. Se tiverem quase sempre o mesmo horário, vão reparar que ao fim de alguns dias as pessoas já se habituaram à vossa presença e sabem que aquela bicicleta é vossa e podem ter a certeza que serão os vossos maiores aliados contra os "amigos do alheio".
Mas como um vídeo vale mais do que mil palavras, deixo-vos não um, mas dois, bastante elucidativos!
Neste, podemos ver a equipa do blog Bicicong, a atribuir pontuações à segurança das bicicletas que encontram estacionadas nas ruas de Buenos Aires.
Este outro, bastante semelhante, tem como protagonista Hal Ruzal, que usa a bicicleta como meio de transporte há quase 40 anos!
Seja como for, e mesmo que as alternativas que encontremos nos permitam deixar a bicicleta em relativa segurança, é importante não baixarmos os braços perante a falta de estacionamento apropriado e seguirmos exemplos como o da Míriam e o da Laura Alves.
É importante que todos nós, enquanto ciclistas e cidadãos, tenhamos um papel activo na mudança do paradigma da bicicleta enquanto veículo de lazer, contribuindo assim para que a bicicleta vá ganhando aos poucos, o seu lugar de estacionamento e, o seu lugar no dia a dia da cidade.
E vocês, têm alguma sugestão de como contornar a falta de estacionamento ?
Qual consideram ser a forma mais segura de prender a bicicleta ?
PARTICIPEM e contribuam para esta partilha de informação :)
Quem anda de bicicleta já está habituado a duas coisas: semear amizades entre os comparsas de duas rodas e, cultivar uns quantos ódios de estimação entre o resto da população em geral.
Todos sabemos como os ciclistas são uns verdadeiros estupores, não é ?
Não sei como é que ainda não embargaram a produção de bicicletas.