quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

É como andar de bicicleta!



Costuma-se dizer que "é como andar de bicicleta: nunca se esquece!" E se repararmos, mesmo que passemos vários anos sem pedalar, quando nos sentamos ao selim e agarramos o guiador, sabemos o que fazer. Claro que podemos estar um pouco enferrujados e ziguezaguear durante alguns metros mas, rapidamente reaprendemos como fazê-lo.

Muitos de nós, têm uma longa história com a bicicleta: uma história de arranhões, quedas e ossos partidos. Outros, nunca caíram e esperam nunca vir a fazê-lo. Temos os que aprenderam, ainda em pequenos, a andar de bicicleta, e aqueles que só o fizeram na idade adulta. Mas, em algum momento da nossa vida, decidimos que queríamos domar este estranho artefacto de duas rodas que parece exigir alguma coordenação física e equilíbrio.




No meu caso, a história envolve uma BMW azul (que na altura me parecia gigantesca!) sem rodinhas, uma tarde solarenga na Quinta do Conde e o meu instrutor particular, o Sr. Armando que, por acaso, também é o meu pai. 


Ora, o Sr. Armando nunca foi muito fã de rodinhas e tem o lema:

« Se caíres, uma coisa é certa: do chão não passas! » 

(o que, como se vê pela imagem, é um facto)








Acabei por não testar se passava ou não do chão, visto que, para além de gozar comigo (que devia ter na altura uns 10 ou 11 anos), o Sr.Armando dizia "não tenhas medo que o pai não te deixa cair!". E não deixou. 

Lá andámos com ele a segurar no volante e no selim, depois só no selim e depois, ouço um: « Onde é que tu vais ? » . Estava a pedalar sozinha! 

Mas, nem todos aprendermos a andar de bicicleta em pequenos. E, apesar de haver uns quantos adultos com o bichinho de pedalar, o receio de caírem no ridículo acaba por levar a melhor. 

Se repararmos, quando somos pequenos, não ligamos muito a quedas espalhafatosas. Qual a pior coisa que pode acontecer ? Partir um braço ? E qual é o problema se temos dois? 

No entanto, com a entrada na adultez, muitas pessoas acabam por se desculpar com o "já estou velho para aprender", "não tenho tempo", "já viste a vergonha que passo se cair da bicicleta ? ". E apesar de até acharem que gostavam de umas pedaladas domingueiras, acabam por não o fazer.

Mas, nunca é tarde para aprender e hoje em dia, existem já várias escolas de condução para bicicletas (para os mais tímidos) ou, se preferirem, ciclovias pouco frequentadas onde se podem espalhar ao comprido sem ninguém ver. Uma coisa é certa: do chão não passam! 



E vocês, recordam-se de como aprenderam a andar de bicicleta ?

Partiram alguns ossos ou correu tudo sobre rodas ?















    sábado, 8 de fevereiro de 2014

    Mais direitos ... menos prudência ?

    Há quem defenda que, desde a entrada em vigor das alterações ao Código da Estrada, os automobilistas andam "mais agressivos". 




    Nas redes sociais multiplicam-se os testemunhos de ciclistas que, a determinado ponto do seu trajecto diário, se viram alvo de razias propositadas, buzinadelas e até um ou outro    « ISSO É PR'ANDAR NO PASSEIO!!! ».



    Mas ... (e correndo aqui o risco de ser crucificada numa bicicleta enquanto me atiram câmaras de ar e garrafas de óleo de corrente): estarão os automobilistas mais agressivos ou nós, ciclistas, menos cautelosos ?


    Vejamos: quando não estamos no nosso "ambiente natural", que até há bem pouco tempo poderia ser representado pela estrada, estamos naturalmente mais alerta. Um pouco como... quando roubamos a última bolacha do pacote (e o deixamos vazio no armário) ou quando tentamos entrar sorrateiramente no elevador da estação do metro apesar de sabermos que o seu transporte aí é proibido. Tentamos ser discretos e, sobretudo, estamos em alerta.


    Com as alterações vieram mudanças bastante positivas que, como sabemos, nos conferem direitos que não tínhamos com o propósito de criar condições para que possamos circular em segurança. Será que ... ao termos esta segurança ilusória (ilusória no sentido que não existe, na prática, uma barreira física que impeça que um automobilista adopte uma condução que possa colocar em risco a integridade do ciclista, como é o caso das razias) teremos baixado as defesas e, consequentemente, estaremos menos prudentes ?


    Qual a vossa opinião e, o que mudou na forma como circulam ?



    sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

    Mito 6: Quando chover vou molhar-me e depois fico doente


    Se forem como eu, a opção de conduzir a bicicleta com uma mão enquanto, com a outra, seguram o vosso delicado chapéu de chuva, está totalmente fora de questão! Não porque ache que é uma má ideia, mas porque estou certa de que ficaria a conhecer o alcatrão mais de perto.

    Ora, posto isto, chegamos a um novo mito que assombra quem quer começar a andar de bicicleta e que serve de desculpa sempre que a meteorologia anuncia possibilidade de aguaceiros, céu nublado ou vento forte: "quando chover vou molhar-me e depois fico doente ". E todos sabemos que um ciclista doente é um ciclista em sofrimento (sobretudo quando o médico lhe diz que está proibido de pedalar enquanto não melhorar).

    No entanto, se perguntarem a quem faz da bicicleta o seu meio de transporte diário se a chuva é um problema, o mais provável é terem um "não" como resposta e existem até aqueles ciclistas para quem pedalar à chuva é um prazer. 

    E para quem ainda não esteja convencido, que tal a opinião de alguns dos mais acérrimos defensores de pedalar à chuva ?








    Parece que afinal, há quem pedale à chuva e que o faça com gosto. Mas, naturalmente que é importante termos o equipamento adequado e, quando falamos em "adequado" temos de ter em conta que, ao contrário do que acontece quando vamos de carro ou transportes públicos, estamos totalmente expostos à chuva, ao vento e ao frio. 




    Como este foi o primeiro ano de Inverno em duas rodas da Costureira Ciclista, confesso que ainda não estava totalmente preparada para enfrentar as chuvas mais fortes e apanhei duas daquelas molhas em que, a determinado momento, só restava encolher os ombros por ser impossível a situação piorar. Resultado: gripe, com direito a tosse, febre, dor de ouvidos e afins. Basicamente estive com um pé no "outro lado".







    Podem agora dizer: 

    « Ah mas nós então temos razão! Andaste de bicicleta à chuva e ficaste doente por causa disso ! »


    Não, nada disso. Reparem que nem a chuva, nem o frio são responsáveis pela transmissão do vírus da gripe, mas sim os contactos directos ou indirectos com uma pessoa infectada. Posto desta forma, andar de bicicleta até minimiza o risco de contrairmos gripe dado que não temos um contacto tão directo com outras pessoas como teríamos se fossemos, por exemplo, de metro ou autocarro.

    A questão aqui é o comportamento que adoptamos. Naturalmente que, se já tivermos alguns sintomas de gripe e, ainda assim, não nos protegemos da chuva e do frio, o desfecho mais provável é sentirmos um agravamento dos sintomas. E no meu caso, foi o que aconteceu.

    Mas nada temam vós que quereis começar a pedalar pelo meio das intempéries porque há soluções, sugestões e forma de o fazer!

    Vejamos aqueles que são os conselhos dados por quem anda à chuva:


    1. Mantenham-se secos

    Quanto mais molhados ficarem, mais frio vão ter e, estarem molhados e frios não augura nada de bom (para além de não ser nada confortável, sobretudo se tiverem de trabalhar todo o dia assim).

    As sugestões são muitas, e mais uma vez, damos voz a quem entende do assunto:




    2. Tenham um Plano B

    Pode acontecer terem mesmo muito azar e, apesar de terem todo o equipamento para pedalarem à chuva, por alguma razão não o levaram. O melhor é, fazerem como a Ellen Morales e terem uma muda de roupa a postos. Se tiverem algum armário ou cacifo no vosso emprego, melhor ainda!



    3. Não se esqueçam que os pés também fazem parte

    Muito bem: temos o casaco impermeável, as calças impermeáveis, o capacete que ajuda a proteger da chuva e... uns ténis de pano. Ao passarmos pela primeira poça vamos rogar pragas e dizer que se o arrependimento matasse certamente aquele seria o nosso último dia. 


    Mas não vale a pena começarem já a dizer que é precisamente por causa disto que não vão de bicicleta... Há soluções para tudo e, neste caso específico, até mais do que uma! Uns ténis ou umas botas impermeáveis podem ser uma boa solução e, provavelmente a mais prática. 

    « Mas eu não gosto de botas nem de ténis impermeáveis e quero andar com ténis de pano durante todo o ano! Parece que não dá mesmo para ir de bicicleta assim ». 

    Nesse caso, podemos comprar umas capas para proteger os pés, como sugere o Paulo Jorge:





    6. Protejam os olhos

    Embora não seja algo muito sugerido, é frequente cruzar-me com ciclistas que utilizam óculos quando está a chover, o que me leva a crer que são úteis e devem fazer alguma diferença. Não posso no entanto falar por experiência própria porque nunca experimentei usar uns durante um percurso à chuva mas, de acordo com as dicas para pedalar à chuva do Active.Com, recomenda-se :

    • o uso de uns óculos de ciclismo com lentes transparentes ou amarelas
    • um boné de ciclista por baixo do capacete para escudar da chuva
    • aplicação de spray anti-embaciamento nós óculos


    5. Sejam persistentes

    Pedalar à chuva. Há quem adore a sensação da água na cara, há quem deteste e há aqueles que depende do lado para que acordaram. 

    O importante aqui é apreciarmos o passeio e não nos sentirmos obrigados a andar à chuva apenas porque há muita gente que o faz. Mas, não deixem que o facto de estar a chover vos impeça de descobrir se gostam ou se detestam pedalar à chuva.

    E quem sabe, podem sentir-se de tal forma arrebatados pelo prazer de pedalar à chuva que, tal como o Eliseu, chegam à conclusão de que


    « Não há melhores dias do que aqueles em que já nos equipamos na firme convicção de que vamos mergulhar num mar de aventuras »

    (http://biclalx.blogspot.pt/2014/01/chuva.html)