sexta-feira, 28 de março de 2014

O Infame Ciclista


Foi ontem anunciado no mural da PSP que, no período compreendido entre 1 e 4 de Abril, seria promovida a « realização diária de acções de sensibilização e fiscalização de trânsito especialmente direccionada aos condutores de velocípedes no que respeita ao cumprimento do Código da Estrada e suas recentes alterações ».


Posto isto, já posso imaginar que teremos os carros patrulhas estacionados em pontos estratégicos da cidade e os senhores agentes a mandar os ciclistas encostar.


- Ora muito bom dia ! - diz o Sr. Agente.
- Bom... dia ... - responde o ciclista confuso.
- Posso saber porque é que estava a circular junto à berma ? 
- Porque se ocupo o meio da faixa os automóveis fazem-me razias ...
- Pois. Vou ter de o autuar. O sr. ciclista tem de ir mais ao centro da via. Não ouviu falar das alterações ao Código da Estrada ?



Mas, se continuarmos a ler a notícia percebemos que afinal o cerne da questão não são as alterações ao Código ... não ... Ora reparem:  « esta operação tem por objectivo dissuadir os comportamentos de risco dos condutores de duas rodas, de forma a incrementar os sentimentos de direito e dever, dinamizando uma verdadeira cultura se segurança rodoviária para todos os utentes da via ». 

Basicamente a ideia que passa é que a dinamização da tal cultura de segurança rodoviária para todos os utentes passa por dissuadir os comportamentos de risco dos condutores de duas rodas. Esses bárbaros!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Viver Perigosamente ... ou não ?

Quem anda de bicicleta sabe que, o que não falta, são pessoas a dar bitaites sobre tudo e mais alguma coisa: que o seguro é obrigatório, que não podemos andar aos pares, que temos de andar pelo passeio, que a bicicleta tem de ter chapa de matrícula para andar na estrada ... Enfim, um sem número de ideias criativas que partem, muitas das vezes, de pessoas que não andam de bicicleta mas que, ainda assim, gostam de dar o seu contributo.

Ora, na semana passada e, curiosamente, duas vezes no mesmo dia, ouvi o bitaite do capacete. O primeiro, partiu de um peão a quem cedi passagem na passadeira, que fez questão de gritar:

« OLHE QUE O CAPACETE É OBRIGATÓOOOORIO ! »


Normalmente, faço um "sim sim", com a cabeça, sorrio e sigo viagem. Eles ficam contentes e eu não me aborreço.

Mas à noite, quando estava parada num dos semáforos do Campo Grande, fui novamente interpelada por um grupo de cidadãos preocupados que depois de umas quantas observação sobre a "grande máquina" que eu tinha enquanto imitavam o som de uma mota, fizeram questão de me alertar para o facto de que « Tens de usar capacete senão és multada ! » .

Apesar de ter ideia de que não é obrigatório, fiz uma pesquisa (não fosse o Código da Estrada ter sofrido alguma alteração que eu desconhecesse) e parece que afinal não há nenhuma obrigação de usar o capacete.




Ainda assim, parece que é uma questão que dá muito que falar e, se algum dia quiserem semear a discórdia entre ciclistas, puxem do assunto do uso do capacete. Depois, é só pedirem uma mini, um pratinho de tremoços e recostarem-se a assistir ao esgrimir de argumentos entre os que são a favor da obrigatoriedade e os que são contra.



Sob a égide do "quem te avisa, teu amigo é" surgem os defensores da obrigatoriedade do uso do capacete. São pessoas zelosas e que, em alguns casos, já sentiram na pele o que é ter um acidente de bicicleta em que o capacete fez realmente a diferença. Não vamos dizer que a sua preocupação não é legítima, porque é.

Do outro lado, temos quem não seja a favor desta obrigatoriedade, por considerarem que o risco associado à utilização da bicicleta é mínimo e que, adoptando uma condução prudente, a probabilidade de ocorrência de um acidente é pouco significativa. 

Até agora, tanto os argumentos de uns como os de outro, me parecem bastante realistas e não necessariamente contraditórios.




O problema começa quando tentamos impor o nosso ponto de vista. É importante que tenhamos em conta que, o estilo de vida associado à bicicleta não é uma religião. Como tal, cada ciclista deverá ter, acima de tudo, liberdade de escolha.




É verdade que usar o capacete pode constituir uma mais valia em caso de acidente. Mas, devemos ter a possibilidade de optar por correr ou não esse risco. Afinal de contas, é a nossa massa encefálica que poderá, eventualmente, ficar derramada num passeio...







Naturalmente que, com esta liberdade de escolha, vem também a obrigação de respeitarmos a opção dos outros, ainda que seja diferente da nossa. 

Achamos que o capacete é um factor importante na salvaguarda da integridade física do ciclista ? Opinião perfeitamente válida. 

Usemo-lo então! Branco, preto, colorido, com ou sem luz intermitente atrás. O que importa é que nos sintamos seguros. 


Temos noção dos riscos existentes no percurso que fazemos e achamos que o capacete não é essencial ? Opinião igualmente válida.

Andemos então de cabelos ao vento.



Não esqueçamos que, aquilo que nos une, enquanto utilizadores de bicicleta, é muito mais vasto do que aquilo que causa discórdia. Por isso, com ou sem capacete, o importante é que partilhamos o gosto por dar ao pedal.





















 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

É como andar de bicicleta!



Costuma-se dizer que "é como andar de bicicleta: nunca se esquece!" E se repararmos, mesmo que passemos vários anos sem pedalar, quando nos sentamos ao selim e agarramos o guiador, sabemos o que fazer. Claro que podemos estar um pouco enferrujados e ziguezaguear durante alguns metros mas, rapidamente reaprendemos como fazê-lo.

Muitos de nós, têm uma longa história com a bicicleta: uma história de arranhões, quedas e ossos partidos. Outros, nunca caíram e esperam nunca vir a fazê-lo. Temos os que aprenderam, ainda em pequenos, a andar de bicicleta, e aqueles que só o fizeram na idade adulta. Mas, em algum momento da nossa vida, decidimos que queríamos domar este estranho artefacto de duas rodas que parece exigir alguma coordenação física e equilíbrio.




No meu caso, a história envolve uma BMW azul (que na altura me parecia gigantesca!) sem rodinhas, uma tarde solarenga na Quinta do Conde e o meu instrutor particular, o Sr. Armando que, por acaso, também é o meu pai. 


Ora, o Sr. Armando nunca foi muito fã de rodinhas e tem o lema:

« Se caíres, uma coisa é certa: do chão não passas! » 

(o que, como se vê pela imagem, é um facto)








Acabei por não testar se passava ou não do chão, visto que, para além de gozar comigo (que devia ter na altura uns 10 ou 11 anos), o Sr.Armando dizia "não tenhas medo que o pai não te deixa cair!". E não deixou. 

Lá andámos com ele a segurar no volante e no selim, depois só no selim e depois, ouço um: « Onde é que tu vais ? » . Estava a pedalar sozinha! 

Mas, nem todos aprendermos a andar de bicicleta em pequenos. E, apesar de haver uns quantos adultos com o bichinho de pedalar, o receio de caírem no ridículo acaba por levar a melhor. 

Se repararmos, quando somos pequenos, não ligamos muito a quedas espalhafatosas. Qual a pior coisa que pode acontecer ? Partir um braço ? E qual é o problema se temos dois? 

No entanto, com a entrada na adultez, muitas pessoas acabam por se desculpar com o "já estou velho para aprender", "não tenho tempo", "já viste a vergonha que passo se cair da bicicleta ? ". E apesar de até acharem que gostavam de umas pedaladas domingueiras, acabam por não o fazer.

Mas, nunca é tarde para aprender e hoje em dia, existem já várias escolas de condução para bicicletas (para os mais tímidos) ou, se preferirem, ciclovias pouco frequentadas onde se podem espalhar ao comprido sem ninguém ver. Uma coisa é certa: do chão não passam! 



E vocês, recordam-se de como aprenderam a andar de bicicleta ?

Partiram alguns ossos ou correu tudo sobre rodas ?