segunda-feira, 14 de abril de 2014

Buracos, Buraquinhos e Túneis até ao Centro da Terra

De acordo com a Câmara Municipal de Lisboa, « O Município de Lisboa criou uma Rede de Percursos e Corredores, que se caracteriza por ser contínua, de malha fechada, articulada com os transportes públicos e com o Património Ecológico e Cultural e, até mesmo, articulada com os Concelhos vizinho (...). » (Fonte: http://www.ciclovia.pt/)

Bom... naturalmente que, enquanto ciclista citadina que utiliza a bicicleta nas suas deslocações diárias, considero que algumas ciclovias são melhores do que nenhuma mas, neste caso, parece-me um quanto megalómano falar de uma «Rede de Percursos e Corredores» quando o que temos são ciclovias aqui e ali e, por vezes, sem qualquer articulação entre elas.

Mas não ficamos por aqui ...

A C.M.L. refere que a rede se caracteriza « por ser contínua ». Ora, não sou especialista em planeamento urbanístico e, o meu conhecimento sobre infraestruturas urbanas baseia-se apenas na utilização que faço delas mas, se tivesse de de adjectivar as ciclovias de Lisboa, "contínuo" não seria, de todo, a minha opção (talvez a minha escolha recaísse sobre qualquer coisa como "atribulado" ou "manhoso").

sexta-feira, 28 de março de 2014

O Infame Ciclista


Foi ontem anunciado no mural da PSP que, no período compreendido entre 1 e 4 de Abril, seria promovida a « realização diária de acções de sensibilização e fiscalização de trânsito especialmente direccionada aos condutores de velocípedes no que respeita ao cumprimento do Código da Estrada e suas recentes alterações ».


Posto isto, já posso imaginar que teremos os carros patrulhas estacionados em pontos estratégicos da cidade e os senhores agentes a mandar os ciclistas encostar.


- Ora muito bom dia ! - diz o Sr. Agente.
- Bom... dia ... - responde o ciclista confuso.
- Posso saber porque é que estava a circular junto à berma ? 
- Porque se ocupo o meio da faixa os automóveis fazem-me razias ...
- Pois. Vou ter de o autuar. O sr. ciclista tem de ir mais ao centro da via. Não ouviu falar das alterações ao Código da Estrada ?



Mas, se continuarmos a ler a notícia percebemos que afinal o cerne da questão não são as alterações ao Código ... não ... Ora reparem:  « esta operação tem por objectivo dissuadir os comportamentos de risco dos condutores de duas rodas, de forma a incrementar os sentimentos de direito e dever, dinamizando uma verdadeira cultura se segurança rodoviária para todos os utentes da via ». 

Basicamente a ideia que passa é que a dinamização da tal cultura de segurança rodoviária para todos os utentes passa por dissuadir os comportamentos de risco dos condutores de duas rodas. Esses bárbaros!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Viver Perigosamente ... ou não ?

Quem anda de bicicleta sabe que, o que não falta, são pessoas a dar bitaites sobre tudo e mais alguma coisa: que o seguro é obrigatório, que não podemos andar aos pares, que temos de andar pelo passeio, que a bicicleta tem de ter chapa de matrícula para andar na estrada ... Enfim, um sem número de ideias criativas que partem, muitas das vezes, de pessoas que não andam de bicicleta mas que, ainda assim, gostam de dar o seu contributo.

Ora, na semana passada e, curiosamente, duas vezes no mesmo dia, ouvi o bitaite do capacete. O primeiro, partiu de um peão a quem cedi passagem na passadeira, que fez questão de gritar:

« OLHE QUE O CAPACETE É OBRIGATÓOOOORIO ! »


Normalmente, faço um "sim sim", com a cabeça, sorrio e sigo viagem. Eles ficam contentes e eu não me aborreço.

Mas à noite, quando estava parada num dos semáforos do Campo Grande, fui novamente interpelada por um grupo de cidadãos preocupados que depois de umas quantas observação sobre a "grande máquina" que eu tinha enquanto imitavam o som de uma mota, fizeram questão de me alertar para o facto de que « Tens de usar capacete senão és multada ! » .

Apesar de ter ideia de que não é obrigatório, fiz uma pesquisa (não fosse o Código da Estrada ter sofrido alguma alteração que eu desconhecesse) e parece que afinal não há nenhuma obrigação de usar o capacete.




Ainda assim, parece que é uma questão que dá muito que falar e, se algum dia quiserem semear a discórdia entre ciclistas, puxem do assunto do uso do capacete. Depois, é só pedirem uma mini, um pratinho de tremoços e recostarem-se a assistir ao esgrimir de argumentos entre os que são a favor da obrigatoriedade e os que são contra.



Sob a égide do "quem te avisa, teu amigo é" surgem os defensores da obrigatoriedade do uso do capacete. São pessoas zelosas e que, em alguns casos, já sentiram na pele o que é ter um acidente de bicicleta em que o capacete fez realmente a diferença. Não vamos dizer que a sua preocupação não é legítima, porque é.

Do outro lado, temos quem não seja a favor desta obrigatoriedade, por considerarem que o risco associado à utilização da bicicleta é mínimo e que, adoptando uma condução prudente, a probabilidade de ocorrência de um acidente é pouco significativa. 

Até agora, tanto os argumentos de uns como os de outro, me parecem bastante realistas e não necessariamente contraditórios.




O problema começa quando tentamos impor o nosso ponto de vista. É importante que tenhamos em conta que, o estilo de vida associado à bicicleta não é uma religião. Como tal, cada ciclista deverá ter, acima de tudo, liberdade de escolha.




É verdade que usar o capacete pode constituir uma mais valia em caso de acidente. Mas, devemos ter a possibilidade de optar por correr ou não esse risco. Afinal de contas, é a nossa massa encefálica que poderá, eventualmente, ficar derramada num passeio...







Naturalmente que, com esta liberdade de escolha, vem também a obrigação de respeitarmos a opção dos outros, ainda que seja diferente da nossa. 

Achamos que o capacete é um factor importante na salvaguarda da integridade física do ciclista ? Opinião perfeitamente válida. 

Usemo-lo então! Branco, preto, colorido, com ou sem luz intermitente atrás. O que importa é que nos sintamos seguros. 


Temos noção dos riscos existentes no percurso que fazemos e achamos que o capacete não é essencial ? Opinião igualmente válida.

Andemos então de cabelos ao vento.



Não esqueçamos que, aquilo que nos une, enquanto utilizadores de bicicleta, é muito mais vasto do que aquilo que causa discórdia. Por isso, com ou sem capacete, o importante é que partilhamos o gosto por dar ao pedal.





















 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

É como andar de bicicleta!



Costuma-se dizer que "é como andar de bicicleta: nunca se esquece!" E se repararmos, mesmo que passemos vários anos sem pedalar, quando nos sentamos ao selim e agarramos o guiador, sabemos o que fazer. Claro que podemos estar um pouco enferrujados e ziguezaguear durante alguns metros mas, rapidamente reaprendemos como fazê-lo.

Muitos de nós, têm uma longa história com a bicicleta: uma história de arranhões, quedas e ossos partidos. Outros, nunca caíram e esperam nunca vir a fazê-lo. Temos os que aprenderam, ainda em pequenos, a andar de bicicleta, e aqueles que só o fizeram na idade adulta. Mas, em algum momento da nossa vida, decidimos que queríamos domar este estranho artefacto de duas rodas que parece exigir alguma coordenação física e equilíbrio.




No meu caso, a história envolve uma BMW azul (que na altura me parecia gigantesca!) sem rodinhas, uma tarde solarenga na Quinta do Conde e o meu instrutor particular, o Sr. Armando que, por acaso, também é o meu pai. 


Ora, o Sr. Armando nunca foi muito fã de rodinhas e tem o lema:

« Se caíres, uma coisa é certa: do chão não passas! » 

(o que, como se vê pela imagem, é um facto)








Acabei por não testar se passava ou não do chão, visto que, para além de gozar comigo (que devia ter na altura uns 10 ou 11 anos), o Sr.Armando dizia "não tenhas medo que o pai não te deixa cair!". E não deixou. 

Lá andámos com ele a segurar no volante e no selim, depois só no selim e depois, ouço um: « Onde é que tu vais ? » . Estava a pedalar sozinha! 

Mas, nem todos aprendermos a andar de bicicleta em pequenos. E, apesar de haver uns quantos adultos com o bichinho de pedalar, o receio de caírem no ridículo acaba por levar a melhor. 

Se repararmos, quando somos pequenos, não ligamos muito a quedas espalhafatosas. Qual a pior coisa que pode acontecer ? Partir um braço ? E qual é o problema se temos dois? 

No entanto, com a entrada na adultez, muitas pessoas acabam por se desculpar com o "já estou velho para aprender", "não tenho tempo", "já viste a vergonha que passo se cair da bicicleta ? ". E apesar de até acharem que gostavam de umas pedaladas domingueiras, acabam por não o fazer.

Mas, nunca é tarde para aprender e hoje em dia, existem já várias escolas de condução para bicicletas (para os mais tímidos) ou, se preferirem, ciclovias pouco frequentadas onde se podem espalhar ao comprido sem ninguém ver. Uma coisa é certa: do chão não passam! 



E vocês, recordam-se de como aprenderam a andar de bicicleta ?

Partiram alguns ossos ou correu tudo sobre rodas ?















    sábado, 8 de fevereiro de 2014

    Mais direitos ... menos prudência ?

    Há quem defenda que, desde a entrada em vigor das alterações ao Código da Estrada, os automobilistas andam "mais agressivos". 




    Nas redes sociais multiplicam-se os testemunhos de ciclistas que, a determinado ponto do seu trajecto diário, se viram alvo de razias propositadas, buzinadelas e até um ou outro    « ISSO É PR'ANDAR NO PASSEIO!!! ».



    Mas ... (e correndo aqui o risco de ser crucificada numa bicicleta enquanto me atiram câmaras de ar e garrafas de óleo de corrente): estarão os automobilistas mais agressivos ou nós, ciclistas, menos cautelosos ?


    Vejamos: quando não estamos no nosso "ambiente natural", que até há bem pouco tempo poderia ser representado pela estrada, estamos naturalmente mais alerta. Um pouco como... quando roubamos a última bolacha do pacote (e o deixamos vazio no armário) ou quando tentamos entrar sorrateiramente no elevador da estação do metro apesar de sabermos que o seu transporte aí é proibido. Tentamos ser discretos e, sobretudo, estamos em alerta.


    Com as alterações vieram mudanças bastante positivas que, como sabemos, nos conferem direitos que não tínhamos com o propósito de criar condições para que possamos circular em segurança. Será que ... ao termos esta segurança ilusória (ilusória no sentido que não existe, na prática, uma barreira física que impeça que um automobilista adopte uma condução que possa colocar em risco a integridade do ciclista, como é o caso das razias) teremos baixado as defesas e, consequentemente, estaremos menos prudentes ?


    Qual a vossa opinião e, o que mudou na forma como circulam ?



    sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

    Mito 6: Quando chover vou molhar-me e depois fico doente


    Se forem como eu, a opção de conduzir a bicicleta com uma mão enquanto, com a outra, seguram o vosso delicado chapéu de chuva, está totalmente fora de questão! Não porque ache que é uma má ideia, mas porque estou certa de que ficaria a conhecer o alcatrão mais de perto.

    Ora, posto isto, chegamos a um novo mito que assombra quem quer começar a andar de bicicleta e que serve de desculpa sempre que a meteorologia anuncia possibilidade de aguaceiros, céu nublado ou vento forte: "quando chover vou molhar-me e depois fico doente ". E todos sabemos que um ciclista doente é um ciclista em sofrimento (sobretudo quando o médico lhe diz que está proibido de pedalar enquanto não melhorar).

    No entanto, se perguntarem a quem faz da bicicleta o seu meio de transporte diário se a chuva é um problema, o mais provável é terem um "não" como resposta e existem até aqueles ciclistas para quem pedalar à chuva é um prazer. 

    E para quem ainda não esteja convencido, que tal a opinião de alguns dos mais acérrimos defensores de pedalar à chuva ?








    Parece que afinal, há quem pedale à chuva e que o faça com gosto. Mas, naturalmente que é importante termos o equipamento adequado e, quando falamos em "adequado" temos de ter em conta que, ao contrário do que acontece quando vamos de carro ou transportes públicos, estamos totalmente expostos à chuva, ao vento e ao frio. 




    Como este foi o primeiro ano de Inverno em duas rodas da Costureira Ciclista, confesso que ainda não estava totalmente preparada para enfrentar as chuvas mais fortes e apanhei duas daquelas molhas em que, a determinado momento, só restava encolher os ombros por ser impossível a situação piorar. Resultado: gripe, com direito a tosse, febre, dor de ouvidos e afins. Basicamente estive com um pé no "outro lado".







    Podem agora dizer: 

    « Ah mas nós então temos razão! Andaste de bicicleta à chuva e ficaste doente por causa disso ! »


    Não, nada disso. Reparem que nem a chuva, nem o frio são responsáveis pela transmissão do vírus da gripe, mas sim os contactos directos ou indirectos com uma pessoa infectada. Posto desta forma, andar de bicicleta até minimiza o risco de contrairmos gripe dado que não temos um contacto tão directo com outras pessoas como teríamos se fossemos, por exemplo, de metro ou autocarro.

    A questão aqui é o comportamento que adoptamos. Naturalmente que, se já tivermos alguns sintomas de gripe e, ainda assim, não nos protegemos da chuva e do frio, o desfecho mais provável é sentirmos um agravamento dos sintomas. E no meu caso, foi o que aconteceu.

    Mas nada temam vós que quereis começar a pedalar pelo meio das intempéries porque há soluções, sugestões e forma de o fazer!

    Vejamos aqueles que são os conselhos dados por quem anda à chuva:


    1. Mantenham-se secos

    Quanto mais molhados ficarem, mais frio vão ter e, estarem molhados e frios não augura nada de bom (para além de não ser nada confortável, sobretudo se tiverem de trabalhar todo o dia assim).

    As sugestões são muitas, e mais uma vez, damos voz a quem entende do assunto:




    2. Tenham um Plano B

    Pode acontecer terem mesmo muito azar e, apesar de terem todo o equipamento para pedalarem à chuva, por alguma razão não o levaram. O melhor é, fazerem como a Ellen Morales e terem uma muda de roupa a postos. Se tiverem algum armário ou cacifo no vosso emprego, melhor ainda!



    3. Não se esqueçam que os pés também fazem parte

    Muito bem: temos o casaco impermeável, as calças impermeáveis, o capacete que ajuda a proteger da chuva e... uns ténis de pano. Ao passarmos pela primeira poça vamos rogar pragas e dizer que se o arrependimento matasse certamente aquele seria o nosso último dia. 


    Mas não vale a pena começarem já a dizer que é precisamente por causa disto que não vão de bicicleta... Há soluções para tudo e, neste caso específico, até mais do que uma! Uns ténis ou umas botas impermeáveis podem ser uma boa solução e, provavelmente a mais prática. 

    « Mas eu não gosto de botas nem de ténis impermeáveis e quero andar com ténis de pano durante todo o ano! Parece que não dá mesmo para ir de bicicleta assim ». 

    Nesse caso, podemos comprar umas capas para proteger os pés, como sugere o Paulo Jorge:





    6. Protejam os olhos

    Embora não seja algo muito sugerido, é frequente cruzar-me com ciclistas que utilizam óculos quando está a chover, o que me leva a crer que são úteis e devem fazer alguma diferença. Não posso no entanto falar por experiência própria porque nunca experimentei usar uns durante um percurso à chuva mas, de acordo com as dicas para pedalar à chuva do Active.Com, recomenda-se :

    • o uso de uns óculos de ciclismo com lentes transparentes ou amarelas
    • um boné de ciclista por baixo do capacete para escudar da chuva
    • aplicação de spray anti-embaciamento nós óculos


    5. Sejam persistentes

    Pedalar à chuva. Há quem adore a sensação da água na cara, há quem deteste e há aqueles que depende do lado para que acordaram. 

    O importante aqui é apreciarmos o passeio e não nos sentirmos obrigados a andar à chuva apenas porque há muita gente que o faz. Mas, não deixem que o facto de estar a chover vos impeça de descobrir se gostam ou se detestam pedalar à chuva.

    E quem sabe, podem sentir-se de tal forma arrebatados pelo prazer de pedalar à chuva que, tal como o Eliseu, chegam à conclusão de que


    « Não há melhores dias do que aqueles em que já nos equipamos na firme convicção de que vamos mergulhar num mar de aventuras »

    (http://biclalx.blogspot.pt/2014/01/chuva.html)








    sábado, 11 de janeiro de 2014

    Próximo passo: World Domination!




    Quando comecei a ir de bicicleta para o emprego, senti-me um pouco como a Bekka Wright e era frequente fazerem-me perguntas como:


    - Vens de onde ? 

    - Não tens medo de andar no meio dos carros ?!

    - Então e quando sais à meia noite vais de bicicleta ?

    - Não é perigoso... ? Não tens medo de ser assaltada ?

    - Então e quando começar a chover ?


    Outras vezes era sobre a bicicleta ...

    - Essa é daquelas que se dobra, não é ?

    - É muito pesada ?

    - É prática ?


    Notei que, aos poucos, a bicicleta passou a fazer parte, não só do meu dia a dia, mas também do dia a dia dos meus colegas que até um nome lhe deram: Maria Francisca.


    Claro que, chegar de bicicleta continua a arrancar uns quantos sorrisos porque « És maluca! » 


    Maluca ou não, noto que alguns já estão contagiados com "o bichinho da bicicleta" e, não tardará até não haver volta a dar!


    M U A H A H A H A H A H A H A H A 





    Os sintomas são óbvios. Uma colega, que sempre gostou de pasteleiras, decidiu comprar uma para ela e outra para a filha. Uma outra optou por, neste Natal, oferecer bicicletas aos sobrinhos que, segundo diz, estão a adorar e a aprender a equilibrar-se com bastante facilidade. E, a semana passada, a primeira coisa que ouvi quando cheguei foi um « Por sua causa já andei na Decathlon a experimentar as dobráveis! Sou capaz de comprar uma ... ».

    E é assim que um "pequeno gesto" como o de levar a bicicleta comigo todos os dias para o emprego, contribui para desmistificar algumas ideias existentes em torno da sua utilização como meio de transporte mas, sobretudo, contribui para a mudança na forma como a bicicleta e respectivo ciclista são vistos.

    Hoje em dia, são os meus colegas quem, com um olhar acusatório e dedo espetado me perguntam:


    « Então onde é que está a Maria Francisca ?! »


    E é bom que haja um bom motivo... caso contrário ...































    Hoje vou de carro!

    A semana passada, como muitos de vós sabem, foi de muita chuva, muito vento e... muitas desculpas para a Costureira Ciclista.


    « Estou constipada...»

    « Está a chover muito e não tenho calças impermeáveis... »

    « Apetece-me ficar a preguiçar mais um bocadinho... »


    O que, se traduziu num:


    Hoje vou de carro!



    O resultado desta aventura foi bastante previsível e um lembrete dos motivos pelos quais, quando vim para Lisboa, troquei o carro pela bicicleta.

    A ida para o emprego tornou-se numa corrida contra o tempo em que a imprevisibilidade do trânsito nunca deixava adivinhar se demoraríamos 15 minutos ou meia hora a chegar ao emprego. A isto, junta-se a demanda pelo estacionamento e temos o cocktail explosivo para começar a manhã capazes de estrangular alguém.


    Ah... a segunda circular... Que vista fantástica! De um lado: carros. Do outro: carros

    É a emoção ao rubro! Pára-arranca, carros que se
    atravessam à frente, mudanças de faixa sem sinalizar. Wow!

    Até para estacionar temos de enfrentar uma fila.
    E ainda assim, estamos afastados do local de trabalho.



    Mas as aventuras não terminam aqui e por volta das 18:00 é hora de começar a pensar no regresso a casa e, mais uma vez, é impossível saber quanto tempo vamos demorar.


    E, ao fim de dois dias, chegámos a conclusão que pode haver menos ou mais mas, há sempre trânsito. Se estiver a chover: muito pior.




    Para piorar a sensação de estarmos encurralados no trânsito, eis que passam por nós não um, mas dois CICLISTAS junto à zona do Estádio Universitário.

    Chovia a potes e estava um trânsito tremendo, mas ainda assim, só consegui perceber que um deles levava qualquer coisa amarela (um casaco? uma mochila? ), tal foi a agilidade com que passou e ultrapassou os carros parados.


    Conhecem a expressão "abre olhos" ? 

    Pois... este ciclista, talvez um enviado do Todo-Poderoso-Ciclista, foi isso mesmo. Ali estava ele, a pedalar à chuva e ao vento, com aquele ar de quem gosta de o fazer. E eu ali estava. Presa no carro. A vê-lo passar.



    Cheguei à conclusão que afinal o problema não era o mau tempo, nem a minha constipação, mas sim o meu comodismo.

    E foi assim que, depois de uma semana de desculpas esfarrapadas, peguei novamente na bicicleta e rapidamente percebi porque é que prefiro pedalar em vez de conduzir. 



    Como diz a Bekka Wright, troquei a Not Bikey Face pela Bikey Face!





    domingo, 5 de janeiro de 2014

    Manipular para Reinar


    Muito se tem discutido sobre as opiniões de Carlos Barbosa, Presidente do ACP, às alterações do Código da Estrada. Mas eis que entra um novo peão no jogo: Paulo Pereira de Almeida, um entusiasta da crucificação dos ciclistas a par da deidificação dos automóveis (consta que já está a ser construído um santuário ali para os lados do Entroncamento).


    Antes de mais, espreitem o artigo de opinião publicado ontem no Jornal de Notícias cujo título, por si só, já deixa antever o que aí vem:





    Se já leram o artigo e são ciclistas, estarão provavelmente a espumar pela boca e a pensar criar um evento no Facebook chamado Vamos Furar os Pneus do Carro do Paulo Almeida. 

    Se já leram o artigo e são automobilistas, deverão estar a acenar com a cabeça e a concordar que os ciclistas deviam realmente ser banidos das estradas e que estas alterações são uma vergonha que só mostra que "somos um País do terceiro mundo" e afins.


    Eu chamo-lhe: manipular para reinar.

    sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

    Hostilidades dentro de 3 ... 2... 1

    Aquela que é uma medida que visa, essencialmente, assegurar a segurança do ciclista e promover a coexistência de bicicletas e automóveis acabou por se revelar um pau de dois bicos. 




    É inegável que todas as alterações vão contribuir para um incremento das condições de segurança para o ciclista e, consequentemente, facilitar a partilha da via.

    A verdade é que, bicicletas na via pública, não constituem novidade para ninguém e, basta uma pequena volta pela cidade, para vê-las a circular na estrada, a par com os automóveis. Por isso, ao contrário da ideia que Carlos Barbosa tenta transmitir, estas alterações não vão fazer com que os ciclistas saiam em massa para as estradas. Vão, sim, legislar sobre uma realidade que está à vista e tem sido, até agora, ignorada.

    segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

    Mito 5: Não há sítio onde guardar a bicicleta

    Este é um daqueles "mitos" que, por vezes, ganham contornos de uma realidade que acaba por afectar algumas das pessoas que ponderam trocar o carro pela bicicleta. 

    A maioria de nós ouviu falar dos casos da Míriam, que conseguiu a instalação de um parque para bicicletas no Saldanha, e da Laura Alves, co-autora da Gloriosa Bicicleta que conseguiu o mesmo feito na Central Station, em Lisboa. 

    Ambas são um exemplo de como a persistência (e, acredito, a contratação de capangas para fazer ameaças físicas e mostrar que estas duas senhoras não estão para brincadeiras) pode provocar mudança!

    Infelizmente, quando o assunto é estacionamento para bicicletas, é comum ouvirmos um coro de vozes que nos diz:


    « Então mas para que é que precisas de um estacionamento para a bicicleta ? Deixas aí amarrada a uma árvore ou atada a um poste! »



    Como é que nós, ciclistas, nunca nos lembrámos disto ?!? Andamos para aí a exigir estacionamento quando há tantas árvores, gradeamentos e postes onde podemos deixar a bicicleta amarrada! 

    A verdade é que, muitas das vezes, estas sugestões vêm de pessoas que ainda não encaram a bicicleta como um meio de transporte e, como tal, estão alheias aos riscos inerentes a este tipo de parqueamento. 

    Até nós, ciclistas zelosos pelas nossas bicicletas, temos às vezes alguma dificuldade em saber qual a forma mais segura de as estacionar e, outras vezes, não temos mesmo outra opção que não seja um poste.


    Neste caso, acho que a proximidade da praça de táxis e do posto da
    PSP são fortes dissuasores para quem queira levar esta Vilar (?) 

    Ora, para saber a opinião dos leitores do blog sobre este assunto, fizemos uma sondagem na qual quisemos saber " o que acham do estacionamento para bicicletas na vossa cidade ? "

    Ficámos a saber que 80 % dos leitores considera que o estacionamento "existe, mas está mal localizado ou não inspira segurança" e, 20 % refere não existir estacionamento. 



    Como podemos então minimizar os riscos de furto ?


    Investir num bom cadeado. Bem vistas as coisas, sai mais barato comprar um bom cadeado do que uma bicicleta nova e podem encontrar soluções bastante diversificadas no mercado.


    Usem mais do que um sistema de bloqueio, como por exemplo, uma corrente e um cadeado U-Lock. Porquê ? Porque cada um deles é arrombado de forma diferente e um ladrão que ande por aí com um alicate e uma serra é capaz de dar um pouco nas vistas...


    Na falta de estacionamento próprio para a bicicleta, evitem prendê-la a algo que possa ser facilmente partido, arrancado, ou que permita tirar a bicicleta por cima. 



    Procurem um local bem iluminado e onde a bicicleta fique bastante visível. Se tiverem quase sempre o mesmo horário, vão reparar que ao fim de alguns dias as pessoas já se habituaram à vossa presença e sabem que aquela bicicleta é vossa e podem ter a certeza que serão os vossos maiores aliados contra os "amigos do alheio". 



    Mas como um vídeo vale mais do que mil palavras, deixo-vos não um, mas dois, bastante elucidativos!


    Neste, podemos ver a equipa do blog Bicicong, a atribuir pontuações à segurança das bicicletas que encontram estacionadas nas ruas de Buenos Aires.

    Este outro, bastante semelhante, tem como protagonista Hal Ruzal, que usa a bicicleta como meio de transporte há quase 40 anos! 




    Seja como for, e mesmo que as alternativas que encontremos nos permitam deixar a bicicleta em relativa segurança, é importante não baixarmos os braços perante a falta de estacionamento apropriado e seguirmos exemplos como o da Míriam e o da Laura Alves.





    É importante que todos nós, enquanto ciclistas e cidadãos, tenhamos um papel activo na mudança do paradigma da bicicleta enquanto veículo de lazer, contribuindo assim para que a bicicleta vá ganhando aos poucos, o seu lugar de estacionamento e, o seu lugar no dia a dia da cidade.


    E vocês, têm alguma sugestão de como contornar a falta de estacionamento ?


    Qual consideram ser a forma mais segura de prender a bicicleta ?


    PARTICIPEM e contribuam para esta partilha de informação :)



















    quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

    A culpa é do estupor do ciclista !

    Quem anda de bicicleta já está habituado a duas coisas: semear amizades entre os comparsas de duas rodas e, cultivar uns quantos ódios de estimação entre o resto da população em geral.


    Todos sabemos como os ciclistas são uns verdadeiros estupores, não é ? 

    Não sei como é que ainda não embargaram a produção de bicicletas.


    sábado, 14 de dezembro de 2013

    O Natal em Bicicleta



    Agora que só faltam dez dias para o Natal, acho que já posso tocar no assunto sem que isso seja considerado "fora de época" (como os enfeites nos centros comerciais no final de Outubro).




    E o que é que a bicicleta tem a ver com o Natal ? Tudo.

    quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

    Mito 4: Há muitas subidas em Lisboa

    Talvez por ser também conhecida como A Cidade das Sete Colinas, muita gente é da opinião de que é impossível andar de bicicleta por ser "sempre a subir". 

    Não vamos aqui dizer que não há subidas. 

    domingo, 8 de dezembro de 2013

    Aspirante a mecânica

    O meu pai costuma dizer, em relação aos carros, que « as pessoas pensam que é só pôr gasolina e andar! Esquecem-se de ver o nível do óleo, o nível da água ... e depois ficam admiradas quando o carro avaria ». Creio que podemos aplicar o mesmo princípio às bicicletas...

    Ao fim de algum tempo, é natural que comecemos a ouvir uns quantos ruídos provenientes de peças que nem sabíamos que existiam. Agora a questão é: o que fazer ? 

    sábado, 7 de dezembro de 2013

    Malditos Ciclistas!!!

    No post de ontem "O quê?!?! Uma bicicleta na ciclovia?" falámos do peão aéreo e do peão Haka Maori mas, estes dois estão longe de representar toda a amálgama de espécimes com que os ciclistas que circulam na ciclovia se deparam diariamente. Sim, di-a-ri-a-men-te.

    Vamos lá então,

    sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

    O quê ?!?! Uma bicicleta na ciclovia ?

    Todo o ciclista que circule numa ciclovia já se deparou com este flagelo: os peões que se passeiam aos pares, ocupando toda a largura duma via destinada, imagine-se, às bicicletas!


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