sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

AI JESUS COMO É QUE AGORA VOU PASSEAR PARA A BAIXA ?!?!

Não tenho palavras para expressar o quão indignada e revoltada estou com esta medida! Então não é que agora a Câmara de Lisboa teve a brilhante ideia de proibir a circulação de automóveis anteriores a 2000 no centro de Lisboa ?! Só neste país de terceiro mundo é que isto acontece!



Quer dizer... andam p'raí com a conversa de que temos de incentivar o pequeno comércio e procurar alternativas aos centros comerciais (o que só por si já é mau visto que eu sofro de alergias e andar na rua provoca-me rinite) e depois PUMBA! Como é suposto, meus caros senhores, eu ir até ao centro de Lisboa ?!?! Enquanto cidadã portuguesa, considero isto uma afronta e de certeza que anda alguém a meter dinheiro ao bolso com esta medida! É o país que temos e a culpa é do governo. E de certeza que o Sócrates também deve ter posto algum ao bolso com isto.

Pago o IUC para quê meus caros senhores ?! Para encher o bolso a quem ?! A partir do momento em que pago, é vossa obrigação assegurarem que há condições para eu levar o carro para onde eu quiser e o centro de Lisboa está incluído. Há tempos ouvi dizer que havia falta de estacionamento. O que há é falta de competência! Porque, meus caros senhores, o que não falta é lugares para estacionar em Lisboa mas houve alguém que agora decidiu encher aquilo de pilaretes. P-I-L-A-R-E-T-E-S ! Digam-me se faz algum sentido. 

O que é que esperam que faça ? Que troque de carro ?! Terão porventura algum acordo com os concessionários ?! Estou desconfiada que é mesmo isso que aqui se passa. Não bastava estarmos mergulhados na crise, por causa do governo, e ainda querem que compremos carros novos ?! Como é que vou ter dinheiro para ir de férias para o Algarve em Agosto ?! E para comprar aquele televisor curvo, o tablet e o telemóvel ? Graças a Deus existem créditos. Se não fosse isso, sabe Deus o que seria de mim.

Ah, e o melhor que tudo: querem incentivar o uso de transportes públicos. Já imaginaram a vergonha que seria se a Fáfá e a Carlota me vissem chegar ao emprego de autocarro ?! Poderá um ser humano descer mais baixo ?! E então de metro nem se fala! Só de pensar até fico com arrepios por causa da minha alergia a gente pobre.

Mas olhem, não há mal sem remédio. 
Vou ali fazer um crédito para comprar um carro de 2015 e aproveito para pedir mais uns trocos para as férias do Algarve.


Beijinhos fofos a todos
Catuxa

sábado, 30 de agosto de 2014

Explorações Gastronómicas: Cantina das Freiras





Dia folga a meio da semana é, geralmente, dia de explorações pela cidade de Lisboa. A parte boa é que há sempre qualquer coisa que ainda não descobri ou visitei e, esta semana, voltei-me para a gastronomia.

A Susana do blog Ao Virar da Esquina já me tinha falado de uma cantina algures em Lisboa onde se come "bem e barato" e, na semana passada, acrescentou dois outros sítios a não perder: uma esplanada num terraço em Lisboa, e uma fábrica de pastéis de nata na Baixa. 


Comecemos então pelo almoço na Cantina das Freiras

Onde fica ?
Conhecem a Brasileira ? Comecemos então a partir daí. 



Entram na Rua Serpa Pinto (indicada com a seta) e seguem sempre em frente.
Irão passar o Largo de São Carlos e o Museu do Chiado. 

Chegados ao cruzamento com a Rua Vítor Cordon, atravessam para o outro lado e seguem em frente.

Chegando então ao outro lado da estrada, estarão na Calçada do Ferragial.
Andam alguns metros e viram na primeira à esquerda.

Ora aqui está! 
Provavelmente quando aqui chegarem já ouvem o som dos talheres (foi assim que eu percebi 
que estava perto). No cimo das escadas, viram à vossa esquerda e depois é só procurar o n.º 1. 




Como é ?



Pessoalmente gostei bastante. Principalmente porque só nos apercebemos da relíquia que é quando lá chegamos.

Assim que transpomos a porta de entrada, é este o cenário.
Hum... 

Existem vários menus à escolha:
Menu Falua: 1 fatia de quiche + salada = 2.90 €
Menu Caravela: Omelete + Salada = 2.50 €
Menu Cruzeiro: pão + prato + sopa ou sobremesa = 6.50 €
Menu Fragata: sopa + baguete mista = 3.50 €


Como o elevador não é aconselhado a claustrofóbicos,
fui pelas escadas e encontrei este cartaz.



E eis-nos finalmente na Cantina propriamente dita ...


Podemos escolher entre comer na esplanada ou nesta sala
(é muito maior do que parece e há mais lugares por trás de mim)

E, como estamos numa cantina, tiramos o tabuleiro e escolhemos um dos
dois pratos do dia: carne ou peixe.



Depois, é só pegar no tabuleiro, sair e pensar: como é que eu ainda não tinha vindo aqui ?!








Comi uns belos croquetes com arroz de cenoura e uma gelatina e será, sem dúvida, um sítio onde espero voltar em breve! 


[para a próxima digo-vos onde encontrar a tal esplanada e os pastéis de nada]



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Era o que faltava!

Costuma-se dizer que "de pequenino se torce o pepino". Geralmente este ditado tem implícita a ideia de que a aprendizagem começa em novo mas, curiosamente, parece-me que há pessoas que se regem mais pelo "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".


« E de onde é que vem agora essa conversa toda e o que é que isso tem a ver com bicicletas ? » - perguntam vocês.


Duas palavras: Jardim Zoológico

Para uns, um passeio. Para mim, o Gate to Hell



A Costureira não é esquisita mas, há três coisas que a conseguem tirar do sério: 
  • histeria colectiva
  • a estupidez de algumas pessoas
  • criancinhas aos gritos sem razão


E alguém consegue adivinhar onde é que se encontra tudo isto ? Pois... no Jardim Zoológico.

E o que é que isto tem a ver com bicicletas ? Nada.

Tem a ver, sim,  com civismo. Ou, neste caso, com uma completa ausência dele e com as consequências de transmitir esta postura de "rei na barriga" às crianças.

E porquê ?

O motivo é simples: para os vossos filhos, vocês são o modelo a seguir. 

Por isso, basicamente, se forem uns porreiros, os miúdos vão ser uns porreiros.
Se forem palermas, os putos vão ser palermas.

Se estimularem os miúdos para as actividades ao ar livre, provavelmente vão ser putos curiosos, enérgicos e saudáveis.
Se os trancarem no quarto com o computador, o mais certo é terem crianças apáticas, obesas e que ficam doentes se lhes cair uma gota de chuva na testa.

Se forem civilizados, os putos vão ser civilizados.
Se se comportarem pior do que os animais do zoo, então o melhor é enjaularem as crianças que sempre dão mais espectáculo do que alguns animais.


« Esta não deve gostar de crianças! » - dirão algumas pessoas




Aqui, a questão não é essa mas sim o comportamento dos pais, os exemplos que dão e os valores que transmitem aos filhos.


Vamos então pegar no caso girafa.

Sábado, 23 de Agosto. Recinto das girafas.

Em torno do recinto são visíveis vários avisos: 
« não provoque os animais » 
« não alimente os animais ».
Uma girafa mais curiosa aproxima-se de um ponto onde estava um amontoado de pais com os respectivos filhos. Um dos pais decide apanhar uma folha que estava no chão para o filho dar a girafa. A girafa estica o pescoço e a língua e come a folha que estava na mão da criança. Subitamente, todos os pais entram numa onda de histeria colectiva: apanham folhas do chão, inclinam-se sobre a cerca, esticam os braços dos filhos para alcançarem a girafa. Há inclusive uma mãe que pega na filha com cerca de 2 anos e a passa por cima da rede. Há um miúdo que transpõe a rede e entra no recinto. Todos se empurram e apanham freneticamente as folhas caídas no chão. Parecia a primeira fila de um concerto do Tony Carreira. Tudo isto apesar do aviso: « não alimente os animais ». Ninguém quer saber. 



Depois temos o caso réptil

Sábado, 23 de Agosto. Reptilário.

Em todos os vidros um aviso « não bata do vidro ».
Um pai decide bater nos vidros para "acordar a cobra".
- Olha ali! Olha ali! (PUM PUM PUM) Olha! olha! Ela tá a dormir (PUM PUM PUM)



Há certos momentos em que é bom não termos poder para concretizar os nossos pensamentos. Caso contrário, teria havido uma série de pessoas a ficar sem braço, e um outro a ser mordido por uma cobra venenosa e depois cair dentro do lago dos aligátor-americano.

Mas adiante.

O que é que se transmite às crianças ? 
Borrifa-te para os avisos! Queres bater no vidro? Bate no vidro!
Queres dar comida aos animais? Dá! 
Era o que faltava! Dizerem-me aquilo que posso e não posso fazer.
Paguei a entrada blá blá blá  Sou eu que pago o ordenado a estas pessoas blá blá blá


« Que exagero! São só uns sinais no Jardim Zoológico ! »


A questão é precisamente essa.
São "só" uns sinais. Umas regras. E o que é que se ensina ? A desrespeitá-las.
Claro que se houvesse fiscalização, a conversa era outra. 
Mas então... as regras só devem ser respeitadas quando há algum tipo de castigo?

Mais tarde, será só um semáforo vermelho (deste que a polícia não veja...)
Será só uma proibição de parar e estacionar (são só 5 minutos e toda a gente o faz...)
Será só uma proibição de circular em cima dos passeios (porque não ?)

Será só isto e aquilo. 
Coisas insignificantes. 
Coisas que não temos de respeitar porque temos mais que fazer.
Coisas que não temos de respeitar porque estamos acima das regras.
E tudo começou numa ida ao Jardim Zoológico.