sábado, 8 de fevereiro de 2014

Mais direitos ... menos prudência ?

Há quem defenda que, desde a entrada em vigor das alterações ao Código da Estrada, os automobilistas andam "mais agressivos". 




Nas redes sociais multiplicam-se os testemunhos de ciclistas que, a determinado ponto do seu trajecto diário, se viram alvo de razias propositadas, buzinadelas e até um ou outro    « ISSO É PR'ANDAR NO PASSEIO!!! ».



Mas ... (e correndo aqui o risco de ser crucificada numa bicicleta enquanto me atiram câmaras de ar e garrafas de óleo de corrente): estarão os automobilistas mais agressivos ou nós, ciclistas, menos cautelosos ?


Vejamos: quando não estamos no nosso "ambiente natural", que até há bem pouco tempo poderia ser representado pela estrada, estamos naturalmente mais alerta. Um pouco como... quando roubamos a última bolacha do pacote (e o deixamos vazio no armário) ou quando tentamos entrar sorrateiramente no elevador da estação do metro apesar de sabermos que o seu transporte aí é proibido. Tentamos ser discretos e, sobretudo, estamos em alerta.


Com as alterações vieram mudanças bastante positivas que, como sabemos, nos conferem direitos que não tínhamos com o propósito de criar condições para que possamos circular em segurança. Será que ... ao termos esta segurança ilusória (ilusória no sentido que não existe, na prática, uma barreira física que impeça que um automobilista adopte uma condução que possa colocar em risco a integridade do ciclista, como é o caso das razias) teremos baixado as defesas e, consequentemente, estaremos menos prudentes ?


Qual a vossa opinião e, o que mudou na forma como circulam ?



3 comentários:

  1. Neste mês e picos com excepção de meia dúzia de "razias" não propositadas de automobilistas incautos, não tenho razão de queixa. A coisa até tem corrido bastante bem... E também não tenho recebido muitas notícias que as coisas tenham piorado! Excepção feita aos comentários pela internet e afins, mas esses são sempre jeitosos sejam quais forem os temas.
    Inclusivamente cheguei a usar a técnica da circulação a par num Sábado destes para ensinar uma pessoa a circular de bicicleta na rua e nem uma buzinadela ouvimos.

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    1. Olá Gonçalo! Muito obrigado por partilhares a tua experiência e, parabéns pela iniciativa de ensinares alguém a andar de bicicleta na rua :)

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  2. Acho que nunca se falou tanto em regras, leis e segurança como agora. Isto até pode estar a ter um efeito contraproducente. Não pela falta de cautelas, ou pelo relaxar dos ciclistas, mas pelo medo que se está a incutir nas pessoas através do grande enfoque e mediatização da questão da segurança. ( http://bikeyface.com/2014/02/06/everybody-get-a-bike/ ) Se isto contribuir para afastar ciclistas do selim, os restantes estarão cada vez mais inseguros (Safety in Numbers).

    Não me parece portanto que os ciclistas passem a andar na estrada mais relaxados do que o faziam antes. Eu não o faço, tenho plena consciência de que o que mudou foi o CdE e não as leis da física.

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