Na altura não achei que ir de bicicleta fosse vantajoso e levantava os mesmos obstáculos que a maioria das pessoa:
- Ir de Campolide até ao Campo Grande ?! Isso é muito longe !!!!
- E as subidas ?!? Lisboa tem muitas subidas e eu não consigo ...
- E os carros ?! Ainda me atropelam e fico ali deitada numa valeta !
- Ah mas vou transpirar, depois chego suada ao emprego ... blhec!
- Não há sítio para arrumar a bicicleta.
- E quando estiver a chover?! É que às vezes chove bastante...
- E se for assaltada ? É que saindo do trabalho à meia noite é perigoso!
Acabei por optar, durante algum tempo, pelo autocarro. Até ao dia em que o André foi de carro para o emprego e deixou a bicla dele em casa ...
« Hummm... vamos lá ver como é que é isto de ir de bicicleta » - pensei. E decidi experimentar.
Não vos vou dizer que foi um mar de rosas. Não foi. A subida da Marquês da Fronteira foi, durante algum tempo, uma chatice. E por mais do que uma vez que tive de ir a empurrar a bicicleta por ali acima.
Vergonha ? Nem por isso.
Uns tempos de pois também eu acabei por comprar a minha bicla: a Maria Francisca.
Cheguei à conclusão que a maioria dos obstáculos não são assim tão difíceis de ultrapassar. Sim, há dias em que é chato apanhar chuva.
Há dias em que chego transpirada ao destino.
Há zonas em que pedalo tranquilamente e outras em que pedalo com precaução.
Mas, fazendo um balanço dos aspectos positivos e dos negativos, diria que os primeiros superam largamente os segundos.
- Então e as subidas ? - perguntam vocês.
Bom... em caso de emergência, podem sempre empurrar a bicla :)

Gostei de ler este testemunho!
ResponderEliminarUma mudança lógica e simples mas ainda estranha à nossa cultura "carro-dependente". Felizmente parece que as coisas estão a mudar.
E essa condição da bicicleta entrar tapada... bom, não conheço as razões e parece que o "problema" foi bem contornado e até contribuiu para uma coisa boa, mas pergunto: porque ter que tapar a bicicleta??? estranhei.
p.s. - vou começar a acompanhar o blog ;)
Cumprimentos
Júlio Santos
Olá Júlio!
ResponderEliminarAntes de mais, bem-vindo ao blog ! Fico contente por ter gostado do testemunho que, de certo modo, é o meu pequeno contributo para tentar mudar essa "cultura carro-dependente" de que fala.
Em relação ao facto de ter de tapar a bicicleta...Creio que o motivo tem essencialmente a ver com o impacto visual. Quer queiramos ou não, a utilização da bicicleta continua a ser mais associada ao aspecto recreativo e de lazer do que ao aspecto utilitário. Entrar de bicicleta no emprego seria assim o equivalente a ir trabalhar de havaianas e com uma piña colada na mão :/
Mas as mentalidades estão a mudar e a prová-lo está o facto de, apesar de tapada, a bicicleta poder entrar e ter até um lugar para ela! Quem sabe o que se segue ? :)
Uma curiosidade: Porque é que a bicicleta tem de entrar tapada na empresa?
ResponderEliminarOlá Ana Jorge!
EliminarCreio que estará relacionado com o impacto visual que causa. No entanto, o facto de me ser permitido guardá-la, em segurança, no interior da empresa (ainda que tenha de entrar tapada), demonstra alguma receptividade à mudança e a aceitação da bicicleta como meio de transporte.
Por isso, apesar desta pequena condição, fico contente por poder guardar a Maria Francisca em segurança :)
Quem sabe se não haverão mais colegas a ficar com "o bichinho" ... ;)
Li e gostei do blog. Também pedalo de bicicleta dobravel (trabalho, lazer e cicloturismo)...
ResponderEliminarCiclooabraços
joaozinho - Santo Andre, Brasil