Bom... naturalmente que, enquanto ciclista citadina que utiliza a bicicleta nas suas deslocações diárias, considero que algumas ciclovias são melhores do que nenhuma mas, neste caso, parece-me um quanto megalómano falar de uma «Rede de Percursos e Corredores» quando o que temos são ciclovias aqui e ali e, por vezes, sem qualquer articulação entre elas.
Mas não ficamos por aqui ...
A C.M.L. refere que a rede se caracteriza « por ser contínua ». Ora, não sou especialista em planeamento urbanístico e, o meu conhecimento sobre infraestruturas urbanas baseia-se apenas na utilização que faço delas mas, se tivesse de de adjectivar as ciclovias de Lisboa, "contínuo" não seria, de todo, a minha opção (talvez a minha escolha recaísse sobre qualquer coisa como "atribulado" ou "manhoso").
Vejamos a definição de contínuo:
con·tí·nu·o
(latim continuus, -a, -um)
(latim continuus, -a, -um)
1. Que não cessa. = CONTINUADO, CONSTANTE, ININTERRUPTO, SEGUIDO, SUCESSIVO ≠ DESCONTÍNUO
2. Que não tem separadas umas das outras as partes de que se compõe.
3. Que é regular
Esta continuidade é, meus caros, uma ilusão ... E não me refiro apenas a ligações entre ciclovias (que, não sendo contínuas, nos forçam a saltitar entre estrada e ciclovia) mas, também às ligações na própria ciclovia que carecem muitas vezes de manutenção e ignoram por completo as especificidades das bicicletas que por lá circulam. Exemplos ?
Por onde começar ?
Talvez pelas crateras que ainda lá estão e que, no inverno, se transformam em apetecíveis piscinas que deixam qualquer ciclista indeciso quanto a continuar viagem... ou parar ali para dar umas braçadas.
Depois temos um outro grande amigo dos pneus: os lancis dos passeios. Ora, faz todo o sentido, numa zona onde se pretende ligar a ciclovia, que não exista uma única rampa para o efeito ... Afinal de contas, as bicicletas são todas iguais e de certeza que estão todas equipadas com suspensão e pneus resistentes. Por isso, pessoal das bicicletas de estrada, bromptons e afins: fiquem em casa ou preparem-se para desmontar da bicicleta em cada troço de ligação desta rede "contínua".
Para terminar temos uma combinação fantástica: buracos + cruzamento + automóveis. Ah... pensavam que se ficava pelas piscinas e lancis ? Não meus caros! Esta ligação é um preciosismo como poucos há. Imaginemos, por exemplo, que a ciclovia não vos leva ao vosso destino e que vão ter de entrar na estrada, ali à esquerda... Não bastava estarmos atentos aos carros que vêm da direita e da esquerda, como ainda temos de andar a ziguezaguear entre os buracos. Basicamente, "um olho no burro, outro no cigano".
Mas não fiquemos por aqui ... e imaginemos que por acaso, até vamos ali para a Duque d'Ávila. Estamos de folga, não está a chover e apetece-nos ir beber um café e ver os ciclistas a passar (soou um bocadinho à taberneiro: «buber mins, comer tramoços e ber as gaijas!» mas, perceberam a ideia).
Nesse caso, seguimos em frente... MAS: O QUE É ISTO?! Devo continuar ou fico já ali a chafurdar nas folhas ?
E lá vamos nós para o passeio.
E lá vamos nós ser "postadrejados" (isto é, "apedrejados", mas com posts... no facebook)
Mas nós, ciclistas, sabemos que somos persistentes. E, mal ou bem, lá vamos contornando os obstáculos. Ainda que isso implique desmontar da bicicleta (o que é bastante prático!)
Imaginemos pedir o mesmo a um automobilista: « Agora saia do carro e empurre até ao outro lado da estrada! » Absurdo não é? Mas, ninguém estranha se o ciclista tiver de desmontar a bicicleta várias vezes quando circula nesta « Rede de Percursos e Corredores, que se caracteriza por ser contínua ».
Adiante.
Sobrevivemos aos buracos, às poças, ao cruzamento, ao amontoar de folhas. Contornámos a Gulbenkian e estamos quase a entrar na ciclovia da Duque d'Ávila ... e até já vamos a salivar a pensar num bruch ali no Velocité ou num dos famosos pães de Deus da Padaria Portuguesa quando:
Acaba a ciclovia, temos de ir pelo passeio (mais uma vez dando motivos para alguma indignação por parte dos peões) e enfrentar mais crateras, um cruzamento e, como não podia faltar, os carris do eléctrico (que quando está molhado é P-E-R-F-E-I-T-O para cair).
Felizmente, o destino é já ali e podemos pensar tranquilamente na atribulada viagem que nos espera no regresso.
Ufa!
Para terminar temos uma combinação fantástica: buracos + cruzamento + automóveis. Ah... pensavam que se ficava pelas piscinas e lancis ? Não meus caros! Esta ligação é um preciosismo como poucos há. Imaginemos, por exemplo, que a ciclovia não vos leva ao vosso destino e que vão ter de entrar na estrada, ali à esquerda... Não bastava estarmos atentos aos carros que vêm da direita e da esquerda, como ainda temos de andar a ziguezaguear entre os buracos. Basicamente, "um olho no burro, outro no cigano".
Mas não fiquemos por aqui ... e imaginemos que por acaso, até vamos ali para a Duque d'Ávila. Estamos de folga, não está a chover e apetece-nos ir beber um café e ver os ciclistas a passar (soou um bocadinho à taberneiro: «buber mins, comer tramoços e ber as gaijas!» mas, perceberam a ideia).
Nesse caso, seguimos em frente... MAS: O QUE É ISTO?! Devo continuar ou fico já ali a chafurdar nas folhas ?
E lá vamos nós para o passeio.
E lá vamos nós ser "postadrejados" (isto é, "apedrejados", mas com posts... no facebook)
« Este gajos andam no passeio!
Não têm respeito por ninguém! S
e atropelarem um velhote num andarilho quero ver como é!
Blá Blá Blá que não têm seguro!
Blá Blá Blá que andam a destruir a via ... Blá Blá Blá
Blá Blá Blá que não pagam imposto!
Blá Blá Blá (aqui já a agitar tochas e forquilhas) »
Mas nós, ciclistas, sabemos que somos persistentes. E, mal ou bem, lá vamos contornando os obstáculos. Ainda que isso implique desmontar da bicicleta (o que é bastante prático!)
Imaginemos pedir o mesmo a um automobilista: « Agora saia do carro e empurre até ao outro lado da estrada! » Absurdo não é? Mas, ninguém estranha se o ciclista tiver de desmontar a bicicleta várias vezes quando circula nesta « Rede de Percursos e Corredores, que se caracteriza por ser contínua ».
Adiante.
Sobrevivemos aos buracos, às poças, ao cruzamento, ao amontoar de folhas. Contornámos a Gulbenkian e estamos quase a entrar na ciclovia da Duque d'Ávila ... e até já vamos a salivar a pensar num bruch ali no Velocité ou num dos famosos pães de Deus da Padaria Portuguesa quando:
Acaba a ciclovia, temos de ir pelo passeio (mais uma vez dando motivos para alguma indignação por parte dos peões) e enfrentar mais crateras, um cruzamento e, como não podia faltar, os carris do eléctrico (que quando está molhado é P-E-R-F-E-I-T-O para cair).
Felizmente, o destino é já ali e podemos pensar tranquilamente na atribulada viagem que nos espera no regresso.
Ufa!



Sem comentários:
Enviar um comentário